Na próxima sexta-feira, 16 de Fevereiro, pelas 17 horas, o Museu Etnográfico da Madeira (MEM) inaugura a instalação 'Em deriva', de Ricardo Barbeito.

A
mostra, inserida no âmbito do projecto expositivo com o mesmo nome da Direcção
Regional do Ambiente e Alterações Climática, da Secretaria Regional de
Agricultura e Ambiente, com quem o Museu Etnográfico da Madeira (MEM)
estabeleceu uma parceria em 2023, culmina, agora, com a inauguração da
exposição do artista, naquela instituição localizada na Ribeira Brava.

Ricardo Barbeiro explica que a questão da poluição e das alterações climáticas não
é recente e desde há várias décadas que este tema é debatido e trazido à
superfície, não só, por organizações não governamentais, que reivindicam a
mudança de paradigma, como iniciativas governamentais de preservação e
conservação da natureza, bem como manifestações artísticas disseminadas um
pouco por todo o lado.

O lixo-marinho é um problema ambiental que não é novo e
refere-se a resíduos sólidos que acabam por estar à deriva nos oceanos. Estes
resíduos têm origem nas actividades humanas e incluem uma grande diversidade de
materiais e objectos, que foram descartados inadequadamente, acabando por ser
recolhidos e caracterizados em praias e zonas costeiras de acumulação, em
diferentes pontos do Arquipélago da Madeira.

'Em deriva' acabou por ser o título escolhido para definir esta exposição, que tem
como base conceptual a possibilidade de derivações, ou desvios, que reforçam a
necessidade de mitigar o problema do lixo-marinho que pelos oceanos anda a
circular.

A intervenção deve ser entendida como parte de um
circuito expositivo, que se estende por diferentes lugares e assume múltiplas
formas. "Tal como o lixo-marinho, que se desprende, que se perde, se dissemina e
acumula pelo espaço, se transforma, se fragmenta e se deforma, contaminando e
interferindo com os ecossistemas, esta exposição dá a conhecer, reforçando, os
processos de monitorização científica, a limpeza de praias e a sensibilização,
promovidos pela Direcção Regional do Ambiente e Alterações Climáticas, a partir
do projeto 'CleanAtlantic', explica nota enviada pela Secretaria Regional de Turismo e Cultura..

A
partir das actividades de recolha de resíduos à beira-mar depositados e a sua
posterior seleção, e caracterização, bem como dos registos que foram feitos ao
longo deste processo, a mostra pretende promover a reflexão sobre a emergência
climática, estabelecendo conexões entre a arte, a ciência e a vida que permitam
sensibilizar para a importância da preservação do ambiente como fator de coesão
e sentido de pertença.

A
instalação, que se apresenta no Museu Etnográfico da Madeira, deve ser
entendida como a continuidade da exposição que está patente na sala dos arcos
da Reitoria da Universidade da Madeira e complemento da exposição que foi
apresentada na Escola Secundária Gonçalves Zarco, 'Estamos todos envolvidos
nisto' e, partindo deste ponto de vista, com este projecto, criaram-se conexões
profundas que se estendem a um vasto campo de possibilidades.

“Através
de uma ocupação contaminante do espaço do museu e dos consequentes diálogos que
se estabelecem, entre o lixo-marinho e a exposição permanente, percebemos que a
fronteira que existe entre aquilo que é considerado lixo e aquilo a que se
atribui valor museológico, vai depender apenas do olhar e do contexto. Assim,
tal como um sistema de raízes que alimenta uma árvore, percebemos que as
questões que estão ligadas à sustentabilidade e ao ambiente são, em simultâneo,
causa e consequência de um jogo de tensões entre a necessidade e a produção, a
identidade e a cultura”, refere o artista.

Ricardo
Barbeito recorda que a charola é um elemento muito conhecido na cultura popular
da Madeira. É um objecto etnográfico, normalmente associado às festividades
religiosas e de celebração espiritual em agradecimento à fertilidade
da terra. “Neste caso, a integração de uma charola construída em colaboração,
reveste-se de especial significado quando a encontramos revestida por
lixo-marinho, que foi recolhido pelos utentes do Centro de Atividades e
Capacitação para a Inclusão da Ribeira brava e da Universidade Sénior, bem como
alguns alunos da Escola Básica e Secundária Padre Manuel Álvares, no âmbito do
Eco Escolas”.

“As
acções colaborativas desenvolvidas e orientadas pelas professoras Louisa Roldão,
Elisabete Ramos e Elisabete Andrade, em parceria com a técnica dos Serviços
Educativos, Nélia Reis, promoveram, junto dos grupos que participaram neste
projeto, o sentido de pertença e o espírito de solidariedade, construídos na
base de uma experiência única e comum”, acrescenta.

A
mostra ficará patente ao público no MEM até 31 de Maio próximo.