Manuel António Correia pediu a "demissão imediata" de Miguel Albuquerque na sequência da aprovação da moção de censura ao Governo Regional e lançou ao Presidente da República o repto para que sejam promovidas eleições regionais antecipadas numa data que permita ao PSD-M realizar, antes, eleições internas.

O ex-secretário regional com as pastas da Agricultura e do Ambiente durante o governo de Alberto João Jardim e ex-candidato à liderança do PSD (perdida para Miguel Albuquerque nas últimas 'internas') promoveu uma conferência de imprensa na tarde desta terça-feira, no gabinete onde exerce advocacia, no Funchal, para assumir uma posição firme na sequência da queda do governo.

“Chegámos a um ponto limite e insuportável e há que dizer basta!”, afirmou Manuel António Correia, defendendo a necessidade de eleições regionais antecipadas, mas com a condição de que o partido realize eleições internas antes do sufrágio. “Se o PSD-M não realizar eleições internas antes das próximas eleições regionais, daqui a poucos meses a Madeira estará com o mesmo problema de instabilidade e ingovernabilidade”, alertou.

Manuel António Correia responsabiliza directamente Miguel Albuquerque pela crise política, afirmando que “ele é o problema, e não poderá ser a solução”. Para resolver o impasse, o dirigente pede a demissão imediata de Miguel Albuquerque da presidência do PSD-Madeira. Caso isso não aconteça, assegura que irá mobilizar as assinaturas necessárias para convocar um Congresso Regional extraordinário, no qual os militantes possam eleger uma nova liderança e um novo candidato à presidência do Governo Regional.

É ele o problema, e não poderá ser a solução. Se o PSD-M for a eleições regionais com o Dr. Miguel Albuquerque como cabeça de lista, daqui a poucos meses estaremos na oposição ou continuaremos com o mesmo problema de instabilidade governativa."
— Manuel António Correia

Considera que "os madeirenses e autonomistas têm sérios motivos para estarem preocupados" e que o partido da Rua dos Netos está "em morte lenta". O retrato que traçou é de um "fase degradante e desprestigiante para nossa Autonomia". Garante que se nada mudar "daqui a poucos meses a RAM estará na mesma situação de ingovernabilidade".

"Esta crise está de há muito anunciada e é da inteira responsabilidade do ainda presidente do partido. É ele o problema e não pdoerá ser a solução. Se o PSD-M for a eleições regionais com o Dr. Miguel Albuquerque como cabeça-de-lista, daqui a poucos meses estaremos na oposição ou continuaremos com o mesmo problema de instabilidade governativa"
— Manuel António Correia

Manuel António Correia apelou ainda ao Presidente da República para que tenha em consideração as circunstâncias actuais na marcação da data das eleições regionais, sublinhando a importância de definições internas no partido para garantir soluções duradouras.

Não pedimos que nos entreguem o poder, apenas que concedam aos militantes, de forma transparente e democrática, o direito de escolherem quem entendem ter melhores condições para representar o PSD e defender a Madeira, de entre os que se candidatem, incluindo, se assim o entender, o actual presidente"
— Manuel António Correia

O ex-governante aproveitou a oportunidade para anunciar a sua recandidatura à liderança do PSD-Madeira, com o objectivo de unir o partido e recuperar a confiança dos madeirenses e porto-santenses. “Estou aqui para, de imediato, assumir as nossas responsabilidades na criação de soluções estáveis e credíveis, que unam o partido e a Região”, garantiu.

"Ou mudamos, ou o povo muda-nos"

“Ou mudamos, ou o povo muda-nos”, alertou Manuel António Correia, sublinhando a gravidade do momento político, que pode colocar em risco a Autonomia e a relevância da social-democracia na Madeira. Segundo o dirigente, “acabou o tempo dos jogos de poder”, e é necessário que a política regional volte a concentrar-se nos problemas reais dos cidadãos, como o acesso à habitação e à saúde, o combate à pobreza, o apoio aos jovens e idosos e a redução da carga fiscal.

AS grandes questões que preocupam as populações devem voltar a ser prioridade da classe política, nomeadamenrte o acesso à habitação e à saúde, as acessibilidades internas e externas, o combate à pobreza e às desigualdades sociais, o apoio aos jovens e idosos, o custo de vida, os sacrifícios da classe média, a carga fiscal e a distribuição da despesa pública, a necessidade de assegurar a transparência e a boa gestão dos recursos naturais"
— Manuel António Correia

“A Madeira merece o melhor”, concluiu Manuel António Correia, comprometendo-se a unir os social-democratas e a servir os interesses da população madeirense com estabilidade e credibilidade.