No primeiro domingo após a morte do padre Bernardino Andrade, falecido a 18 de Janeiro, alguns fiéis decidiram prestar-lhe sentida homenagem, na Capela da Penha de França, no Funchal, onde o sacerdote costumava celebrar a eucaristia dominical, em inglês.
Natural na Ponta do Sol, Bernardino Correia de Andrade foi ordenado padre a 12 de Junho de 1965, em Moçambique, na Diocese de Quelimane. Viveu 9 anos naquele país africano, tendo depois partido para os Estados Unidos da América.
Passou a fazer parte da Diocese de Oakland, na Califórnia, onde exerceu o seu múnus durante 42 anos, continuando integrado nesta diocese apesar de ter residência na Madeira, desde 2006.
Como Capelão Hospitalar, ajudou doentes e movimentos a encontrarem caminhos concretos de actuação, como foi o Caso do Movimento de Voluntariado Hospitalar Presença Amiga.
Conhecido pela sua tolerância e generosidade, bateu-se pela causa da pobreza, notabilizando-se pelo seu papel como fundador do projecto 'Gente Ajudando Gente', em 2010, que lhe valeu o epíteto de "pastor dos pobres".
A pobreza é um tabu (...). Ninguém escolhe ser drogado ou prostituta (…). Que as associações não comecem por julgar, comecem por amar
Foi também um defensor de uma Igreja atenta aos problemas sociais:
"Quando nós rezamos devemos rezar com a bíblia numa
mão e o jornal na outra. Trazer para dentro da igreja os problemas do mundo e
levar a igreja para o mundo. Não é à parte, é misturada com o mundo", afirmou numa entrevista ao DIÁRIO em 2020.
O padre Bernardino Andrade faleceu na passada quinta-feira, no Hospital Dr. Nélio Mendonça, aos 86 anos. O funeral realizou-se ontem, na Igreja de Nossa Senhora da Luz, na sua terra natal, onde foi baptizado.

