Na sua intervenção na cerimónia comemorativa do
145.º aniversário da Polícia de Segurança Pública da Madeira, o presidente
da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira evidenciou todos os
serviços prestados pelos agentes da PSP à população madeirense, com destaque para “o
trabalho que a Polícia de Segurança Pública tem vindo a realizar através da
Equipa de Proximidade e Apoio à Vítima, escutando, protegendo, apoiando,
orientando e integrando as vítimas de violência doméstica, uma realidade que
continua a ser um flagelo da nossa sociedade”.

O líder do parlamento
madeirense salientou também que “a PSP
é confrontada com problemas que são sociais e não policiais ou criminais e que,
muitas vezes, é obrigada a substituir-se a quem tem a incumbência de tratar
dessas situações”.

Este
facto, disse, “só valoriza a vossa acção na nossa comunidade e prestigia cada um
de vós e a vossa instituição”.

Como
exemplos, apontou “o trabalho que a
PSP realiza na procura de pessoas, em particular idosos, que, sofrendo de
demências, desaparecem das suas casas, sendo que a família encontra nesta força
policial um apoio humano extraordinário”.

“O tráfico e o consumo de drogas, nomeadamente das novas
substâncias psicoactivas, é um outro flagelo que ameaça o nosso tecido social e
que deve merecer a nossa maior atenção, dada a dimensão do problema nas nossas
ilhas”, sublinhou José Manuel Rodrigues, deixando reparos à nova lei da droga.

“O combate das forças policiais às drogas sintéticas tem sido
contínuo e intenso, mas esbarra, muitas vezes, numa legislação ultrapassada e
desadequada da realidade. O processo legislativo que, recentemente, ocorreu na
Assembleia da República, de alteração às designadas leis da droga, foi
bem-intencionado, mas o resultado final pode ser perigoso”, alertou.

O presidente da Assembleia Regional considera que “em vez de
clarificar o que é o consumo e o que é o tráfico, [a nova lei] complicou a distinção
entre estes dois fenómenos, o que pode vir a representar um enorme pesadelo
para as polícias e para a Justiça”.

Critica ainda o facto de não terem sido ouvidos os órgão de Governo próprio da Região, “de quem partiu a
revisão da lei”.

“O legislador nacional, não só
desrespeitou – reafirmo – a Constituição da República e as Autonomias, como
desconsiderou todos os pareceres dos Conselhos superiores da Justiça, dos
órgãos de polícia criminal e das entidades que superintendem a prevenção e o
combate à toxicodependência”, acusa José Manuel Rodrigues.

“Esta teimosia legislativa pode
custar muito caro à sociedade portuguesa e espero que se esgotem todos os
mecanismos constitucionais para possibilitar a revisão das alterações aprovadas”,
avisou.

O líder da ‘casa da Autonomia e
Democracia' saudou ainda “todas as mulheres e homens que, ao longo
da sua já longa história, aqui cumpriram o seu dever de garantir a segurança e
a ordem nestas ilhas, independentemente do regime político vigente”, lembrando
o seu “contributo
inestimável na “ajuda às nossas populações, o qual foi testemunhado por todos,
na aluvião de 2010, nos grandes incêndios dos anos de 2012 e de 2016, e, mais
recentemente, na aplicação das leis e das regras de combate à pandemia”.