O JPP elegeu esta sexta-feira a Agricultura para voltar a
criticar a política de gestão da banana e o “monopólio” da GESBA que empobrece
os agricultores.
Liderados por Élvio Sousa, o secretário-geral e
cabeça-de-lista do JPP, a acção de campanha foi a Câmara de Lobos, para junto
do bananal que subsiste na zona do Ribeiro Real – sobranceiro ao futuro campo
de futebol –, e na presença do ‘rosto’ da ABAMA - Associação de Produtores de
Banana da Madeira, Antonino Abreu, reafirmar que o Partido sempre esteve do lado
dos agricultores.
“Infelizmente podiam ter um rendimento muito superior se
as políticas deste governo fossem acertadas”, começou por apontar, referindo-se
aos cerca de 3 mil bananicultores que continuam ‘reféns’ da GESBA.
Depois de no início desta semana Élvio Sousa ter
denunciado que há banana a apodrecer em cima dos poios, nalguns casos há dois
meses, hoje o candidato reforçou o grande prejuízo que tal representa para o rendimento
do agricultor, já de si penalizado por só estar a receber 35 cêntimos/kg pela
banana extra quando há 15 anos recebia 60 cêntimos.
Para o JPP “só vendo para acreditar” a garantia
entretanto dada pela GESBA que irá cobrir os prejuízos decorrentes da banana
deixada na terra por incapacidade dos serviços em assegurar a recolha em tempo
útil.
Élvio Sousa acusa a GESBA de “má gestão”, por não prever
atempadamente o reforço de mão-de-obra, quando é sabido que esta é a época alta
da produção de banana.
Mais uma razão para criticar a coligação de “sapatos de
verniz, a vir para o terreno falar com os agricultores e ver de facto a pobreza
e a falta de rendimento que está existir neste meio”.
Apelou ainda a Albuquerque a devolução dos 3.5 milhões
gastos no ‘museu’ da banana no Lugar de Baixo, Ponta do Sol, por considerar que
foi dinheiro retirado aos bananicultores.
Para o JPP “está nas mãos do governo” a solução, que diz
passar por “reduzir os custos de funcionamento da GESBA” e “pagar melhor aos
agricultores”. Sustenta que para valorizar o sector o kg de banana deveria ser
pago a 1 euro, valor que considera “aceitável”.
Recordou as Contas de 2021 da GESBA para lembrar que “vendeu
18 milhões de banana” mas só “entregou aos produtores 6 milhões”. Os restantes
12 milhões foram gastos com o funcionamento da GESBA. Só em custos de
representação, diz que o aumento no último ano foi de “quase 2000%”
“Isto não é uma empresa. Isto é uma ave de rapina. Isto é
o sorvedouro de dinheiro do povo e dos rendimentos que não pode acontecer.
Nenhum governo que se preze pode deixar uma empresa rapinar o rendimento dos
produtores. Isso não pode acontecer”, considerou.
Acompanhado por uma dezena de militantes e candidatos, Élvio
Sousa defende que se acabe “com a lei que impede que os bananicultores possam receber
fundos comunitários” se venderem a banana fora da GESBA. “Lei proteccionista
que serviu para ‘engordar’ a GESBA, para ficar com todo o dinheiro dos fundos
comunitários”, acusa.
É contra este “fato encomendado” que ‘alimenta’ o “monopólio”
da banana que sai em defensa dos agricultores ‘escravizados’, ao concluir que “pior
que o monopólio privado é o monopólio público. Nós já estamos fartos de regimes
comunistas”, atirou.
Para o JPP o Governo Regional está a “usar modelo
comunista para a agricultura”.
E pior, “a GESBA está a meter gente de ‘bata branca’ que
são tachistas e outros boys que vieram do PSD e do CDS, porque a GESBA é uma
central de emprego, não é uma empresa da banana”, concluiu.
