Foi quase um regresso ao
passado. Um regresso às grandes festas que caracterizam as Comunidades
Madeirenses na Venezuela. Uma dinâmica que só interrompidas pelas restrições
impostas pela pandemia.
Cerca de mil pessoas
juntaram-se, ontem, no Centro Português de Caracas para celebrar o Dia da
Madeira e das Comunidades Madeirenses, num evento marcado pelo içar de
bandeiras, pela entoação de hinos, por discursos, por um jantar comemorativo. E
por último, um concerto do cantor madeirenses, Miro Freitas, que abrilhantou a
noite venezuelana, um concerto e um espetáculo com DJ.
O director regional da
Comunidades e Cooperação Externa, Rui Abreu, mostrou-se satisfeito com o ponto
alto das comemorações, e com a adesão da Comunidade, que compareceu em peso num
evento, cujos bilhetes já haviam esgotado há três meses.
“Isto foi como um retomar os
tempos antigos, das grandes festas do Dia da Madeira”, disse Rui Abreu,
lembrando a visita que fez à Venezuela em 2022, no rescaldo da pandemia, quando
“os centros portugueses e madeirenses estavam de portas fechadas. Agora
voltámos à normalidade”.
A festa que juntou a
comunidade portuguesa na Venezuela, prolongou-se noite dentro, como manda a
tradição naquele país.
As duas faces da
Venezuela: a da abundância e a da carência
Durante o seu discurso no
âmbito da celebração do Dia da RAM e das Comunidades, no Centro Português de
Caracas, Rui Abreu fez questão de lembrar as duas faces da Venezuela: a face da
abundância, e a face da carência.
“A Venezuela é um país
riquíssimo, com vastos recursos, com oportunidades várias. Mas, é, também, um
país onde a abundância e a carência convivem lado a lado”, disse, sublinhando
que é preciso ajudar os madeirenses mais vulneráveis.
“Não podemos ignorar esta
realidade e não podemos virar as costas aos madeirenses que neste momento
passam por momentos difíceis. Agora, num momento em que a economia venezuelana
está mais enfraquecida, temos de estar unidos e dar a mão a quem mais precisa”,
sublinhou, garantindo que o Governo Regional estará sempre ao lado dos seus
conterrâneos.
“Nesta deslocação elegemos
como roteiro a área social. Foi esse o grande objetivo da minha viagem de oito
dias à Venezuela. Em primeiro lugar, quis estar com a comunidade madeirense
mais carenciada e mostrar que é possível todos ajudarem”, começou por explicar
Rui Abreu.
Em segundo, continuou: “Vim
estabelecer os contratos-programa do Governo Regional com quatro instituições
de solidariedade social direcionadas para madeirenses, no valor total de 20 mil
euros”.
Em terceiro lugar, deixou uma
garantia: “O Governo Regional continuará a apoiar as suas Comunidades no
estrangeiro, especialmente os nossos concidadãos que estão em situação de
vulnerabilidade.
Rui Abreu entrega
‘Reconhecimentos’ a seis personalidades
Durante a cerimónia de
comemoração, Rui Abreu entregou ‘Reconhecimentos’ a seis personalidades
madeirenses, pelo mérito e pelo trabalho desenvolvido ao longo da vida, em prol
das comunidades madeirenses na Venezuela.
As distinções foram para
Fernando Ludgero da Silva (Ex-Conselheiro das Comunidades Madeirenses), para
Acácio Leal Pedro Ferreira (Cônsul Honorário de Portugal em Barquisimeto), para
Agostinho Gomes Lucas, (membro fundador e Ex-Presidente da Comissão Pró
Celebração do Dia da Madeira em Caracas e Ex-Conselheiro das Comunidades
Madeirenses), para José Luís Ferreira (Presidente da Academia do Bacalhau em
Caracas e Ex-Conselheiro das Comunidades Madeirenses), para Marcelino Maria de
Canha (Cônsul Honorário de Portugal em Maracay e Presidente Lar Geriátrico
Luso- Venezuelano do Estado de Aragua) e para Vítor Vieira (Cônsul-honorário de
Puerto Órdaz e presidente da Confederação dos Centros Portugueses e Madeirenses
na Venezuela).
Nova dinâmica da Comissão do
Dia da Madeira
Rui Abreu aproveitou a
ocasião para elogiar a nova dinâmica que Wilder da Silva imprimiu na Comissão
Celebração do Dia da Madeira e das Comunidades. “A entrada de 12 novos membros
na Comissão, pertencentes a gerações mais jovens, é muito importante. Para além
de trazerem novas ideias, são eles que darão continuidade à Comunidade e à
identidade madeirense na Venezuela”.

