O centro
cultural e de investigação que vai funcionar nas instalações do antigo
matadouro do Funchal deve abrir até à primeira quinzena de Setembro, mas há
dificuldades na aceitação de candidaturas de bolseiros devido a atrasos na concessão
de vistos de residência. O balanço foi feito pela vice-presidente da Câmara do
Funchal, no encerramento da conferência do Fórum de Emprego que decorreu
durante a manhã na sala da Assembleia Municipal.
Cristina
Pedra descreveu que o novo centro terá 80% da área reservada para actividades culturais
e 20% para investigação, sendo que é em relação a esta última componente que a
autarquia enfrenta algumas dificuldades na obtenção de vistos de residência
para bolseiros oriundos de países de fora da União Europeia. Foram recebidas
candidaturas de bolseiros de países como Reino Unido, Canadá, Colômbia, Tanzânia,
Índia e Irão que estão a aguardar por uma autorização. A responsável referiu
que há boa procura pelas vagas de bolseiros, pelo que a CMF vai abrir um novo
concurso, para actividades com vigência até 2025.
A
vice-presidente da Câmara explicou que o Fórum de Emprego vem fomentar o
encontro de empregadores e de candidatos a empregos, isto num momento em que o
mercado de trabalho enfrenta desafios de adaptação e várias dificuldades. Desde
logo, a insatisfação dos trabalhadores, já que 80% dos empregados deseja mudar
de trabalho, o que, na óptica de Cristina Pedra, “é péssimo”. Por outro lado, “a
maior parte dos empresários tem habilitações inferiores” à média dos seus
trabalhadores e há ainda o problema da exiguidade do mercado. “São obstáculos que
não permitem uma ruptura cultural, numa sociedade que terá de se adaptar a uma
nova forma de trabalhar”, comentou a vice-presidente da CMF, que defendeu
mudanças no Código do Trabalho que permitam uma flexibilidade laboral que
favoreça tanto as empresas como os trabalhadores. “Ou pensamos no futuro ou
continuamos no triste fado, nesta ladainha. É preciso muita coragem, muita
capacidade de trabalho, competência, autoconfiança e, sem dúvida, muita resiliência”,
rematou.
