É já nos
próximos dias 15, 16 e 17 de Junho que terá lugar a 22.ª edição do Raízes do Atlântico, um evento organizado
pela Secretaria Regional de Turismo e Cultura, através da Direcção Regional da
Cultura.
O evento regressa à
Praça do Povo, no Funchal, com um programa de seis concertos em três dias,
apresentando um leque de vozes e
sonoridades que pretendem levar todos os presentes a viajar pelo mundo Atlântico.
Nesta 22.ª edição, o programa apresenta
uma forte presença regional com bandas e artistas
que dignificam a música da Madeira (C’azoada, Lidiane Dualibi e Balaio Brasil e os Fennel Shore & Petra Gomes), duas estreias na
Região: os Senza e os Fogo Fogo e o regresso da cabo-verdiana Lura que encerra esta
edição do Raízes.
O festival arranca pelas 20h30 do
dia 15 de Junho com os sons da Região, os madeirenses C’azoada. Constituída
por oito elementos: Bernardo Leal; Elda Pedras; Humberto Pedras; Luís Cabral;
Márcia Rodrigues; Pedro Barreto; Sara Rodrigues e Teresa Leão, ab anda conta com cerca de duas décadas de
existência. Tem raízes na
Música Tradicional, onde se inspira e a partir da qual constrói o seu
reportório, tendo por base o cancioneiro madeirense, preservando a sonoridade e
identidade dos instrumentos tradicionais. Traduzem-se numa fusão entre o tradicional e o
contemporâneo, com laivos de música Pop, Rock, Jazz e Erudita numa de
celebração da World Music na Região Autónoma da Madeira.
Neste primeiro dia, teremos ainda, pelas 22h30, a estreia dos
SENZA. Este é um projecto
formado por Catarina Duarte e Nuno Caldeira, em 2015 e após uma viagem de 3
meses pelo Sudeste Asiático, o nome do grupo tem origem num dos instrumentos
usados no álbum de estreia: um idiofone de origem africana. Já editaram três
álbuns: 'Praia da Independência', 'Antes da Monção' e 'Próxima
Paragem', e têm vindo a actuar em diversos países na Europa África Austral e na
América (Estados Unidos, Brasil e México). Em 2019 foram a aposta de Portugal
para o certame de jazz europeu na Cidade do México, EuroJazz. Já actuaram também no Festival Bons Sons, num
concerto descrito como "mágico e incrível" pela organização do
festival. Misturando sonoridades de diferentes continentes, os Senza trarão ao Raízes do
Atlântico 2023 uma viagem pelo mundo.
O segundo dia do festival começa pelas 20h30 horas com um
Tributo a Gal Costa, pela voz de Lidiane e os Balaio Brasil. Lidiane Duailibi, cantora e compositora, é uma artista que marca a sua
presença em Portugal há 23 anos. Natural do Brasil, traz consigo toda
influência da música do seu país, partindo da fusão das culturas do Brasil e de
Portugal. Com vontade de honrar e agradecer todo legado deixado por Gal
Costa, nasce este tributo onde serão apresentados os grandes sucessos da
carreira artística da cantora.
Ricardo Dias, um dos mais importantes músicos madeirenses, é o
diretor artístico do projecto. Norberto Gonçalves da Cruz também participa na
iniciativa, que com alguns convidados integram esta formação para apresentar o
projecto Balaio Brasil.
O tributo sob o tema 'Seu Nome é Gal' pretende levar o público
do Raízes a uma viagem no tempo e no coração, através dos sons e poesia, da
eterna Gal Costa. É um projecto que trará a essência da música popular
brasileira ao Raízes do Atlântico.
Para o segundo concerto desta sexta-feira, com início marcado
para as 22h30, teremos mais uma estreia na Região, a dos Fogo Fogo. O projecto
constituído pelos experientes músicos Francisco Rebelo, João Gomes, Edu Mundo,
Danilo Lopes e David Pessoa representa a força experiente e enérgica destes
músicos que, juntos, somam quase 120 anos de carreira.
Juntaram-se para este projecto em 2014 e começaram a actuar ao
vivo em 2015. A palete sonora dos Fogo Fogo está bem definida e inclui funaná, funk, dub e
rock. Contam já com dois álbuns, o primeiro, homónimo, mergulhou num vasto
número de clássicos cabo-verdianos. Em 2021, apresentaram Fladu Fla um disco de originais. No Raízes do Atlântico mostrarão como é possível trazer a
tradição dos sons de clássicos do “funaná”, à luz dos dias de hoje.
Para abrir a terceira e última noite do Raízes teremos, às 20h30
o projecto Fennel Shore & Petra Gomes.
A banda Fennel Shore foi criada em 2018 por um trio de músicos que se
conheceram no Conservatório Escola das Artes da Madeira, com o objectivo de
convidar artistas diferentes para espectáculos utilizando as diferentes
linguagens, conhecimentos, vivências e influências de cada membro do projecto Ø Petra Gomes, cantora e terapeuta da fala madeirense,
foi a primeira artista a juntar-se ao formato.
Quatro anos depois, surgiu a oportunidade de trabalharem juntos
novamente e deram voz ao espetáculo “Do México a Portugal”, aumentando posteriormente o número de elementos da banda oriundos
de diversas origens musicais. No Raízes apresentam-se em palco com Petra Gomes, João Freches,
Carlo Rodrigues, Pedro Afonso, Gonçalo Sousa, Miguel Moreira, Carlos Vieira,
Sarah Borges, Aquilino Silva e Miguel Camacho.
O conceito "Do México a Portugal" convida a viajar
através do mundo das sonoridades américo-latinas partindo desde os ritmos
envolventes mexicanos, colombianos, venezuelanos, espanhóis, passando pelo sambinha brasileiro até à alma do fado lusitano. Uma
fusão entre a energia tradicional e moderna, em perfeita harmonia, num concerto
arrojado e inovador.
Finalmente, para encerrar a edição de 2023 do Raízes do Atlântico,
às 23h30 do dia 17, teremos o regresso à Madeira de uma das melhores vozes lusófonas
da actualidade: Lura.
Nascida em Lisboa, filha de pais cabo-verdianos, bebeu das duas
culturas da sua vida tornando-se a única artista da família. Aos 21 anos lançou 'Nha Vida', o seu primeiro álbum. Desde então já
editou outros 5 álbuns: 'In Love', 'Di Korpu Ku Alma', 'M’Bem Di Fora'. 'Eclipse' e 'Herança', em 2015 e produzido por Agir. Em
2018, lançou um EP intitulado Alguem di Alguem. Em Abril último lançou SiSi, o novo single e videoclipe a anunciar o seu sétimo
álbum de originais, que deverá ser divulgado em breve. Com mais de 25 anos de carreira, Lura prepara assim uma
"revolução" na sua vida, com este novo álbum que trará novas
sonoridades, sem nunca esquecer as suas origens e os temas mais emblemáticos do
seu catálogo.
Ao Raízes trará a sua voz inconfundível que, ao vivo, contagia
toda a gente com a sua energia sobre-humana, exaltando a sua “dupla
nacionalidade” e a riqueza da sua diversidade de culturas e vivências,
encerrando da melhor forma a edição deste ano deste festival que já é de
presença obrigatória para tantos madeirenses.
O Secretário Regional de Turismo e Cultura, Eduardo Jesus,
sublinha que esta nova edição daquele que é o mais antigo festival de World Music do país e convida todos a participarem naquela
que pretende ser “uma festa em torno da música e dos sons deste Atlântico que nos une”.
Esta nova
edição do Raízes do Atlântico volta a trazer tradição, modernidade e
multiculturalidade. Mais do que um festival, esta é uma verdadeira experiência
global, uma oportunidade de celebrar a música como Património Cultural
Imaterial que, mesmo nas suas diferenças, une povos e nacionalidades. É
por essa razão que, uma vez mais juntamos a música madeirense, aos sons do
Brasil e de Cabo Verde, aos ritmos quentes e variados de todo o Atlântico. Serão três noites que se adivinham musicalmente memoráveis. Venham celebrar a World Music connosco.
De referir ainda que os concertos são de acesso gratuito, sendo de salientar
que, no local, serão disponibilizados lugares sentados. Mais
informações podem ser obtidas no site oficial do evento, em https://raizesdoatlantico.madeira.gov.pt/pt/raizes-do-atlantico-2023
