“Não é
apenas a descontinuidade territorial em relação ao continente que nos faz singulares
no contexto português. É a nossa condição de ilhéus, nascidos ou a viver nas
ilhas, que justifica a nossa diferença, o nosso direito à diferença no seio da
Nação portuguesa”. A afirmação é do presidente da Assembleia Legislativa da Madeira,
José Manuel Rodrigues, na abertura da conferência da SEDES, dedicada ao tema ‘Madeirensidade’,
que decorre esta tarde no parlamento regional.

“A
Madeirensidade é resultado da natureza, da orografia, da religião, da economia
do açúcar, da comercialização do vinho, das chegadas e partidas de visitantes. É
produto do cruzamento de costumes e culturas, da emigração, de muitas coisas
mais, mas sobretudo da necessidade do madeirense de subsistir entre a rocha e o
mar, com escassos recursos e o eminente desejo de ser dono do seu próprio
destino”, descreveu o presidente da Assembleia, que explicou que “não foi por
acaso que a Constituição da República preceituou há 46 anos que o regime político-administrativo
próprio dos arquipélagos portugueses ‘se fundamenta nas suas características
geográficas, económicas, sociais e culturais e nas suas aspirações autonomistas
das populações insulares’”.