Luís Montenegro admite que preferia não ter uma deputada do
PSD, arguida num processo-crime, na comissão parlamentar de inquérito da TAP, e
lembrou que esse é um problema anterior ao seu mandato como líder do partido e
que não foi ele quem convidou a Patrícia Dantas, eleita pelo círculo da
Madeira, para ser deputada do PSD.
O presidente do PSD foi entrevistado ontem à noite, pelo
jornalista da SIC Notícias, José Gomes Ferreira, que não deixou escapar o “embaraço”
de o maior partido da oposição em Portugal ter uma deputada na Comissão de
Inquérito da TAP que foi acusada de fraude na obtenção de subsídio, no âmbito
do mega-processo da Associação Industrial do Minho.
“Nenhum embaraço! Já tive ocasião de dizer. Essa situação já
se colocava quando ela foi candidata, quando ela foi eleita, colocava-se ontem
e coloca-se hoje exactamente nos mesmos termos. Não houve nenhuma evolução”,
respondeu Luís Montenegro.
José Gomes insistiu: “Não houve nenhum incómodo por haver
uma deputada nestas circunstâncias?”
“Eu preferia que a deputada não tivesse esse problema. Esse
problema ela já o tinha antes de ser deputada”, ripostou o líder do PSD.
José Gomes Ferreira não desarmou e questionou então por que
motivo Luís Montenegro não deu a indicação a Patrícia Dantas de que não deveria
integrar a comissão de inquérito por ser arguida num processo-crime, dada a
visibilidade que o cargo representa?
Montenegro relativizou, descartou responsabilidade nessa
decisão e respeitou a opção da parlamentar eleita: “Por amor de Deus, então se
ela está no exercício pleno das suas funções porque é que eu iria estar a
discriminar uma deputada por isso?”
José Gomes Ferreira concluiu então que o PSD sujeita-se
assim à crítica – legítima - ao que Montenegro respondeu que não foi ele quem
elaborou a lista dos candidatos do PSD pelo círculo eleitoral da Madeira (Patrícia
Dantas surgiu no 3.º lugar) sem, contudo, referir-se a Miguel Albuquerque.
“A única pergunta que me podia fazer é se eu a convidei para
ser deputada ou não, mas para isso… teríamos de recuar um pouco o tempo quando
eu não era presidente do PSD”, lavou as mãos Luís Montenegro.
O líder do PSD sublinha que não quer desvalorizar a questão,
mas diz estar convicto de que a deputada madeirense será ilibada deste processo.
“Isso é público, estou absolutamente confiante que ela não tem nada a ver com
isso, ela está no meio de cento e tal arguidos no meio de um processo que,
parece-me, é inexistente do ponto de vista penal”.
