O secretário regional de Saúde e Protecção Civil, Pedro Ramos, e a directora regional da Saúde, Bruna Gouveia, participaram, esta manhã, através de videochamada, na conferência 'Prevenção do Vírus Sincicial Respiratório - uma prioridade nacional da Saúde, integrada na iniciativa 'RSV Think Tank - Inspirar à Mudança', que decorreu no auditório Almeida Santos, na Assembleia da República, em Lisboa.
A ocasião serviu para que fosse apresentado o exemplo da Região na imunização contra o VSR, uma vez que a Madeira decidiu de forma pioneira avançar com a imunização
deste vírus a todas as crianças que nasceram a partir do dia 1 de Abril de
2023 na Região.
No painel de discussão 'Estratégias para a
implementação Nacional: Visão Política', Pedro Ramos começou por
dizer que uma das mensagens que a pandemia de covid-19 trouxe foi a necessidade de
um "olhar diferente sobre a Saúde Pública", um olhar que obriga a uma mudança
de estratégias.
Segundo
o governante, os grandes objectivos para iniciar a campanha de imunização contra
o VSR a favor dos bebés que nasceram na Região Autónoma da Madeira está "diminuir os internamentos e
idas a urgências devido a bronquiolites e pneumonias na Região".
Esta
realidade existe e constitui uma pressão sobre os Serviços de Saúde e a Madeira
não é excepção", disse, fundamentando que a existência desta imunização
constitui uma "arma" em termos de saúde pública.
Pretendemos
ter um Inverno sem bronquiolites nestas faixas etárias. A autonomia
da Região permite que possamos avançar mais cedo nestas novas campanhas e
estratégias de vacinação tendo como foco principal beneficiar a saúde da
população.
Por
seu turno, Bruna Gouveia, directora regional da Saúde, integrou o painel de
discussão: 'Estratégias para a Implementação Nacional: Visão
Técnico-Científica'. Na oportunidade a dirigente partilhou a experiência da Região no âmbito desta estratégia regional para imunização contra o VSR.
A
responsável apresentou-se satisfeita por ver reforçada de uma forma
significativa a estratégia regional e servir como ponto de partida para
discussão Nacional. Segundo,
a directora regional, neste momento a estratégia de imunização está a decorrer
com excelentes resultados "temos uma cobertura geral na ordem dos 92% e se
olharmos àqueles que nasceram durante a época VSR temos uma cobertura cerca de
94%".
Neste
momento, estão imunizadas contra o VSR 1.154 crianças. Ainda, de acordo com a
directora regional, e segundo resultados das primeiras semanas de imunização é
notória a diminuição da procura dos serviços de urgência hospitalar, com uma
redução na ordem dos 34% por infecções respiratórias agudas baixas em crianças
com menos de 2 anos”. Revela- se também uma redução na hospitalização
relacionada com o VSR, comparativamente à época 2022/2023, na ordem dos 40%.
Sob
o ponto de vista de diversos especialistas que participaram na conferência, o
exemplo pioneiro da Madeira é positivo na medida em que permite “retirar a
pressão sobre os Serviços de Saúde”, especialmente numa altura em que os
serviços de urgência das várias unidades do país estão sobrelotados.
O
programa reuniu um painel de especialistas de diferentes áreas de actuação,
nomeadamente profissionais de saúde, economistas da saúde, ordens
profissionais, sociedades científicas e decisores políticos. Na oportunidade,
foi abordado “o impacto das doenças causadas por VSR - Resultados de estudos
nacionais” e as “estratégias preventivas contra a doença causada por VSR”.
O
Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é um vírus muito comum e altamente
contagioso, mais conhecido por causar bronquiolite em crianças durante o
inverno. A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda, com maior incidência
nos primeiros 2 anos de vida. A maioria dos casos de bronquiolite é causada
pelo VSR.
Esta
imunização é indicada para os bebés que ainda não tiveram contacto com
o VSR e que vão viver o seu primeiro inverno. Neste sentido, o Governo Regional adquiriu 2.400 vacinas, um investimento superior a 500
mil euros.

