O primeiro
perito a analisar o carvalho que provocou a tragédia do Monte disse, esta manhã,
no tribunal do Funchal, que aquela árvore “não tem nenhuma lesão mecânica que
justifique a queda” e disse ter “a certeza absoluta” que tal aconteceu devido a
uma movimentação do solo, situação que, na sua opinião, não pode ser imputada a
nenhum dos dois arguidos (Idalina Perestrelo e Francisco Andrade) que estão em
julgamento.
O engenheiro
agrícola e arboricultor profissional Pedro Ginja, que foi contratado pela
Câmara do Funchal para estudar a árvore logo após a sua queda, concluiu nesta
manhã o testemunho que tinha iniciado a 4 de Outubro passado. Perante o
colectivo de juízas presidido por Joana Dias, a testemunha explicou que o
carvalho foi estudado por ele e por outros especialistas e garantiu que o mesmo
não caiu devido a lesões próprias, nem mesmo por podridões ou fungos, que
qualificou de “disparates”, que, “a existirem, não tiveram influência na queda
da árvore”. A queda deveu-se, sim, a uma “fractura repentina de uma raiz” que
Pedro Ginja associou a uma “deslocação dos solos”. A mesma testemunha disse ter
dúvidas sobre o que provocou essa movimentação do solo, mas colocou as
hipóteses de tal ter sido desencadeado pela trepidação provocada pelo
rebentamento do fogo do arraial do Monte ou por um martelo pneumático utilizado
numa obra que há três meses decorria nas proximidades.
A certa
altura, a juíza Joana Dias perguntou: “A queda da árvore caiu não por um
problema da árvore mas pela deslocação de solos, é isso?”. “Tal e qual. Eu
tenho a certeza absoluta que houve uma cedência dos solos. Tenho é dúvidas
sobre a origem”, respondeu Pedro Ginja.
No dia de hoje deveria ser ouvido Rocha da Silva, ex-director regional de Florestas, mas que não compareceu em tribunal por motivo que vai ainda justificar formalmente.
