"Na origem da crise política, que nos voltou a assaltar os dias, estão casos graves, que só a justiça poderá avaliar e que, até lá, a presunção da inocência deve ser um direito. Mas, na política, existem outras questões e práticas que, não sendo de âmbito judicial, mancham amiúde aquele que deveria ser o fim último e primeiro da política enquanto serviço público e mecanismo de desenvolvimento, justiça e progresso a bem da população", reflecte Filipe Sousa num comunicado remetido, este domingo, às redacções.
Mais concretamente, o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz queixa-se de discriminação por parte do Governo Regional em relação às autarquias de cor política diversa.
Quando a
lógica partidária se impõe, ficamos todos a perder. Por exemplo, quando as
cores diferentes entre quem está no poder central e regional se impõem, ditam
prioridades ou servem de arma de arremesso, perde-se pelo caminho o fim último
da política como serviço à comunidade. O mesmo acontece quando a mesma lógica é replicada na relação do Governo
Regional com as autarquias de cor política diversa. Nesta lógica, há sempre uma
perda para todos e problemas que se eternizam sem solução
Como exemplo, o autarca realça "a questão da reabilitação e renovação das redes de águas e
saneamento, ou os complexos problemas da mobilidade que, em cidades como o Caniço,
provocam todos os dias constrangimentos de trânsito que transformam a vida dos
cidadãos num inferno". A resolução destes problemas, argumenta, está "fora do alcance dos magros orçamentos das autarquias".
"Infelizmente,
estamos a falar, tanto num caso como no outro, de investimento avultados, fora
do alcance dos magros orçamentos das autarquias. Lembre-se, a propósito, que os
problemas de mobilidade numa cidade como o Funchal têm sido alvo de
investimentos do Governo Regional, e bem. O modelo deveria era ser replicado
para todos e não apenas ao sabor das cores políticas coincidentes", sustenta Filipe Sousa.
"A dignidade e
ética da política deveria ser perseguida nos grandes assuntos e nas pequenas
questões do quotidiano. Só assim teremos uma política para todos, nas suas
metas e objectivos", remata.

