Foi no âmbito das comemorações do
Dia Mundial da Saúde Mental, que hoje se assinala, que o secretário regional de
Saúde e Protecção Civil se mostrou satisfeito com o trabalho desenvolvido pelas
estruturas regionais nesta área, embora reconheça que há margem para melhorar e
evoluir.
Pedro Ramos, que falava esta
manhã no auditório do Museu de Electricidade – Casa da Luz, perante uma plateia
composta por várias figuras ligadas a esta área de cuidados, associou o estado
actual do sector aos investimentos feitos pelo Governo Regional ao longo dos
anos.
Nas suas contas, demonstrando que
o “investimento na área da saúde mental tem sido uma realidade”, o governante
incluiu 100 milhões de euros aplicados desde 2015, dos quais 66 milhões de
euros resultam de investimentos feitos desde 2019. Nestas contas entram os 1,5
milhões de euros aplicados no aumento da diária pada pela Região aos prestadores
de cuidados do sector social que garantem o internamento da especialidade na Madeira.
A par disso, o secretário com a pasta da Saúde, que continuará no cargo no futuro Governo Regional, que só tomará posse na próxima semana, apontou as verbas disponíveis ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na ordem dos 35 milhões de euros, que podem ser alocados à requalificação dos serviços, mas também a projectos de hospitalização domiciliária ou à implementação de equipas de saúde mental.
Escudando-se na Estratégia
Regional para a Saúde Mental, Pedro Ramos enumerou o preconizado que ainda está
por implementar, nomeadamente a constituição de mais grupos multidisciplinares
ou a criação de mais equipas comunitárias, bem como a priorização do acesso,
com reflexos na presença 24 horas de um psiquiatra e um psicólogo no serviço de
urgência.
O governante reconheceu a
importância de contratar mais profissionais, nomeadamente médicos e
enfermeiros, como forma de conseguir dar uma melhor resposta a todas as
situações do espectro da saúde mental, aspirando a um serviço mais próximo dos
utentes e onde a precoce e multidisciplinar intervenção garante mais sucesso no
resultado.
Na ocasião, Pedro Ramos, que fez
questão de notar que “muitas vezes temos sido apunhalados pelas costas” no que respeita
à prevenção da doença mental, dos comportamentos e dos factores de risco
associados, referiu-se, várias vezes, em tom crítico, à recente alteração da
chamada ‘Lei da Droga’, apontando a necessidade de haver uma distinção clara e
precisa entre consumidor e traficante. A referência aos problemas que têm condicionado,
nos últimos tempos, o acesso aos cuidados do Serviço Nacional de Saúde também foram
lembrados pelo secretário regional.
