Num comentário colocado na sua página de Facebook sobre a
manchete do DIÁRIO do passado domingo - ‘Falta de professores deixa alunos sem
Religião e Moral’ - o padre José Luís Rodrigues mostra-se contrário à existência
daquele tipo de disciplina nas escolas públicas. “Antes de mais, fique bem
claro que não deviam existir aulas de nenhum tipo de religião nas escolas,
pois, é bem revelador das incongruências do Estado confessadamente laico. Esta
prevalência de aulas de Moral na vertente católica nas escolas oficiais é um
resquício do salazarismo, que os valores democráticos ainda não tiveram coragem
de pôr cobro. Preferia ouvir falar que existiam aulas deste teor só e
unicamente nas escolas privadas ligadas às confissões religiões. E ponto final”,
escreve o pároco de São Roque e de São José na rede social, mostrando-se perplexo
com a falta de docentes para as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica. “Andava
convencido que o problema seria ao contrário, muitos professores de EMRC para
poucos ou nenhuns alunos. Afinal, o problema é diferente, bem grave e revela o
quanto está envolta de incompetência também esta área ligada à Igreja Católica
da Madeira”, critica, sublinhando que “havendo aulas nas escolas oficiais de
cariz ético/moral e ou de estudo das religiões, que fossem aulas marcadamente
de civilidade e de humanismo”.

Assegurando que “estamos bem saciados de confusão religiosa
por todo lado”, sugere que a oportunidade (falta de docentes) deveria de ser
aproveitada pela Igreja. Apesar de contestar a “incongruência” que o Estado
laico confere à Igreja Católica, esta não pode desaproveitar de “mão beijada” a
lacuna existente. “Havendo inscritos nesta disciplina, como é o caso, as
necessidades disponíveis nas respectivas escolas, deviam ser preenchidas
imediatamente, contribuindo-se assim para empregar pessoas que precisam de
salário para alimentarem a sua família. Digam o que quiserem, estamos perante
descoordenação e insensibilidade”, conclui.