No 2.º trimestre de 2022, a ANACOM registou cerca de 25,9
mil reclamações escritas contra prestadores de serviços de comunicações, menos
9% do que em igual período de 2021. É o quinto trimestre consecutivo em que as
reclamações no sector das comunicações registam uma diminuição face ao período
homólogo, afastando-se dos valores registados durante a pandemia. As
comunicações eletrónicas foram as mais reclamadas, com 16,8 mil reclamações
(65% do total de reclamações), menos 10% face ao segundo trimestre de 2021. As
reclamações sobre serviços postais também diminuíram (6%) face a igual período
do ano passado, situando-se nas 9,1 mil (35% do total), mas aumentaram em
relação ao 1.º trimestre do corrente ano (+1000 reclamações).

Lisboa foi o distrito que apresentou o maior número de
reclamações (32 por 10 000 habitantes) e Portalegre e Bragança são os distritos
com o menor número (7 por 10 000 habitantes).

Nas comunicações eletrónicas, a Vodafone foi o prestador de
serviços que registou mais reclamações (36%; cerca de 6 mil reclamações) e
também o único que viu aumentar o número de reclamações face a igual período do
ano passado (+8%). A NOS foi o prestador que registou mais reclamações por mil
clientes (1,8) e foi o segundo prestador de serviços mais reclamado no 2.º
trimestre de 2022, com 32% do total de reclamações do sector, seguido da MEO
(28%) e da NOWO (4%).

A demora na resolução de falhas nos serviços foi o assunto
mais reclamado pelos utilizadores de serviços comunicações eletrónicas (16%) e
a ativação de serviços sem consentimento foi o motivo que mais aumentou.
Seguiram-se o aumento de preços, a não concretização de condições contratuais e
a impossibilidade de barrar consumos adicionais de dados. A demora ou não
resolução de reclamações foi o motivo que mais diminuiu face a igual período do
ano passado (-5 pontos percentuais – p.p.).

A demora ou resolução deficiente de falhas nos serviços está
entre os principais motivos de reclamações contra todos os prestadores de
serviços mais reclamados, mencionados em 20% das reclamações contra a Vodafone,
em 14% nas reclamações contra a NOS (a par da ativação de serviços sem
consentimento, que continuou a aumentar) e em 12% nas reclamações contra a MEO.

Quanto aos serviços postais, os CTT continuam responsáveis
pela esmagadora maioria das reclamações registadas pela ANACOM no 2.º trimestre
de 2022, com 91% (-2% face a igual período de 2021). A DPD continua a reduzir
as reclamações pelo terceiro período consecutivo (-17%), representando 5% das
reclamações do sector. O conjunto de outros prestadores menos reclamados (UPS,
DHL, TNT, CEP, entre outros) representou, ao todo, 4% das reclamações
registadas e também viu diminuir as reclamações neste período ( 48%).

A falta de tentativa de entrega no domicílio, embora tenha
vindo a diminuir, foi o motivo mais mencionado nas reclamações sobre serviços
postais (16%) e em 16% das reclamações contra os CTT e 32% das reclamações
contra a DPD. Nos CTT, aumentaram sobretudo as reclamações sobre repetidos
atrasos na entrega e cobertura de serviço deficiente (+3 p.p.).