O Grupo Parlamentar do Partido
Socialista esteve, esta manhã, no Miradouro do Paredão, para alertar sobre os
impactos negativos que o projecto do teleférico do Curral das Freiras poderá
ter para a destruição do habitat de várias espécies protegidas.
De acordo com o projecto, o
Miradouro do Paredão será ligado por teleférico à Boca da Corrida, no Jardim da
Serra.
Elisa Seixas deu conta que o PS
participou no processo de consulta pública relativamente ao estudo do impacto
ambiental do projecto do teleférico entre estes dois pontos e do ‘zipline’ que
vai ligar o Paredão ao Curral das Freiras.
A parlamentar deu conta que o estudo
deixa “grandes dúvidas relativamente à conservação daquele espaço”, refere nota
enviada. Lembrou também que, ao abrigo da directiva europeia ‘HABITATS’, o
paredão foi classificado como Zona de Proteção Especial do Maciço
Montanhoso Oriental, Área Importante para a Avifauna do Maciço Montanhoso
Oriental e Zona Especial de Conservação do Maciço Montanhoso Central.
“Estamos numa zona
de proteção especial, porque há aqui várias espécies que são protegidas e que
estão em vias de extinção, como é o caso da Freira da Madeira, de três espécies
de morcego e de uma espécie de molusco”, disse Elisa Seixas.
Acrescentou que o estudo aponta
que provavelmente os impactos “não serão assim tão acentuados”, mas refere que
deverão ser realizados outros estudos, porque “estamos perante um anteprojecto”
que não leva a conclusões definitivas.
A deputada do PS notou que o
facto de a entidade que propôs esta obra, “que incide numa parte que é zona
protegida e vai impermeabilizar ainda mais a localidade e afectar directamente
os habitats das espécies”, é o Instituto de Florestas e
Conservação da Natureza (IFCN)
Elisa Seixas alegou uma “óbvia
incompatibilidade de interesses” porque o Instituto faz parte da entidade que
emite a declaração do Estudo de Impacte Ambiental – a Direcção Regional do
Ambiente.
A parlamentar do PS assinalou que
o IFCN deu parecer negativo a um projecto de ‘zipline’, no Cabo Girão, por ser
um local que está numa fronteira protegida, contudo agora considera não existir
“problema em implementar um ‘zipline’ e um teleférico” numa zona protegida.
“Andam a fazer tudo ao contrário”, criticou Elisa
Seixas, apontando o facto de primeiro o Governo ter avançado para a
expropriação de terrenos para então proceder ao estudo de impacte ambiental.
