Fernão Rodrigues, um
madeirense reformado com 61 anos de idade decidiu organizar um buzinão, esta quinta-feira, em frente à Quinta Vigia, contra o aumento dos preços e custo de vida, na Madeira. Agendada para as 18 horas, a apitadela foi organizada para o último dia do mês de Março, porque se fosse "no dia 1 de Abril" poderiam pensar que seria "uma peta”.
Com recurso às redes sociais e a acções pelas ruas do Funchal, Fernão Rodrigues - que integra uma "Comissão Regional constituída por sete pessoas" - acredita que "vai
aparecer um grupo com carros", embora alguns já lhe transmitiram que
“não podem devido à hora”... ou por outros motivos.
Deve saber tão bem quanto eu que a maior parte dos
comerciantes da nossa terra, mesmo em dificuldades, apoiam, mas se for para dar
a cara já não alinham. Para dar a cara e fazer parte de uma coisa destas não é
fácil. Infelizmente é assim nesta terra.
“Pensamos que muita gente vai aderir e muita apitadela há-de
aparecer. Espero que as pessoas manifestem o seu desagrado por esta escalada de
preços que não terá fim. Ainda estamos no início”, alertou ainda o sexagenário.
“Da mesma maneira” que Fernão Rodrigues sente “na pele”, os
pequenos e médios empresários madeirenses “também estão a sentir o aumento do
custo de vida com este aproveitamento da Covid-19" mais agora, na sua opinião, "com a justificação da
guerra”. Daí que os preços dos produtos no supermercado “estão a disparar” e “as
pessoas vão fazendo comparações”.
E por falar em comparações, Fernão Rodrigues diz que “não
vale a pena” confrontarmos os preços dos combustíveis da Madeira aos de Portugal continental, conforme tem insistido o Governo Regional.
Podemos é comparar aos Açores, que é uma Região Autónoma
como a nossa. Uma botija de gás nos Açores custa menos 10 euros. Uma casa de
família, na Madeira, que gaste por mês duas garrafas de gás são mais 20 euros
para salários tão baixos e pensões tão miseráveis. A nível do combustível esta
semana baixou, mas na semana passada a diferença era de 30 cêntimos. Tem a ver
com a forma de estipular e tabelar este negócio. Competia ao Governo Regional equiparar
aos Açores, já que somos bons em tanta coisa também poderíamos ser bons como os
açorianos, que mês a mês tabelam o preço dos combustíveis. Na Madeira é semana
a semana. Há empresários aqui na Madeira, com a complacência do Governo
Regional, que estão a se encher à grande e à francesa.
