O Bispo de Mananjary, o madeirense D. Alfredo Caires de
Nóbrega, de visita à Região Autónoma da Madeira, aproveitou para lançar um repto
às entidades públicas e religiosas, para que possam ajudar a sua comunidade em Madagáscar,
“dado o momento crítico” que está a passar devido à passagem do Ciclone
Batsirai, que já causou pelo menos 30 mortes naquela ilha africana.
Aquela região, já habituada a lidar com catástrofes
naturais, tem uma população que também “sofre com os problemas alimentares” e
que fazem com que se agravem as condições das famílias. Mas não é uma
comunidade habituada a “pedinchar”, admite, porque vamos “fazendo as coisas com
aquilo que se tem”.
O bispo madeirense explicou toda esta realidade ao
Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, com quem reuniu, em audiência,
na manhã desta quinta-feira, e mostrou-se satisfeito com a disponibilidade
deste para ajudar.
Na área da saúde e da educação tem havido alguns
desenvolvimentos, ligeiros. “Neste momento o que está a surgir é uma epidemia
de cólera e diarreias, devido às águas”, mas é complicado convencer a população
a usar “água potável, nem é bem potável porque não há, mas pelo menos água
limpa”. Na educação, os filhos eram vistos apenas como “força de trabalho”,
como um “bem lucrativo”, não tendo a hipótese de frequentar o ensino, mas
também isso tem vindo a mudar.
A prioridade agora passa pelo envio de bens alimentares e de
alguns donativos, que sirvam para comprar aos produtores locais, “de maneira que
estes se desenvolvam”. A comunidade está estruturada de maneira a ser autossuficiente.
“Procuramos ensinar as pessoas para isso”.
D. Alfredo Caires de Nóbrega não tem, para já, nenhuma
reunião agendada com a Diocese do Funchal, com quem admite que mantém alguns
contactos, via digital.

