Salientando que o Plano de Acção para a Energia Sustentável e Clima da Região Autónoma da Madeira
(PAESC-RAM) está em período de discussão pública até 29 de Novembro, o MPT Madeira divulgou um comunicado, esta terça-feira, referindo que este
documento apresenta mais de 100 medidas para atingir os objectivos de
Participação dos recursos energéticos renováveis na produção de electricidade em
55% em 2030 e 95% em 2050 e de Redução do consumo de combustíveis fósseis em
relação a 2005 em 45% em 2030 e 85% em 2050.
O MPT considera que, com este
elevado número de medidas e sem a sua hierarquização em críticas, importantes e
não críticas, a gestão deste Plano será confusa e dificilmente conseguirá
atempadamente prever se os objectivos serão alcançados. Em face do exposto, o
MPT sugere a hierarquização das medidas tendo em conta a importância para
atingir os objectivos.
Segundo
este plano, os objectivos serão atingidos através de implementação de produção
de energia por fontes renováveis e por diminuição do consumo de energia (i.e.,
melhoria da eficiência energética “que inclui a redução das necessidades, a
melhoria do desempenho e o aproveitamento de fontes de energia renováveis para
consumo próprio”).
O MPT diz ter "dúvidas que existirá redução das necessidades,
uma vez que o aumento de temperatura poderá levar à necessidade de climatização
(ar condicionado) nas moradias".
O
Plano inclui a produção de energia por fontes renováveis ainda não em uso, como
por exemplo, de fonte oceânica (ondas e marés).
O MPT não discorda desta
presunção para 2050, mas discorda para 2030: as centrais de produção de energia
eléctrica existentes em 2030 serão as das tecnologias actualmente existentes (em
2022) e comercialmente viáveis. Mais ainda, esses projectos já deverão a estar a
ser desenvolvidos actualmente, pois entre a ideia e a implementação decorrem
alguns anos, podendo chegar a décadas no caso de tecnologias inovadoras (devido
ao financiamento, ao desenvolvimento da própria tecnologia e aos estudos
necessários). Pior, o Plano prevê mais do que a duplicação da produção de energia
de fonte eólica e solar sem declarar onde é que essa energia será produzida
pois, tal como já dissemos, 2030 é já ao virar da esquina e esses projectos já
devem estar em andamento, caso forem para estar em funcionamento nessa data.
A concluir, o MPT considera que o futuro não são automóveis eléctricos mas sim veículos
movidos a hidrogénio, pelo que a aposta deve ser em produzir energia de fonte
renovável e o excesso de produção gerar hidrogénio (tanto para veículos como
para produzir energia eléctrica). "Em virtude desta convicção, os carros
eléctricos não devem ser apoiados", sentencia.

