'Marulho' é a nova exposição de Joana Fernandes a ser inaugurada esta terça-feira no Centro Cívico de Câmara de Lobos, uma mostra que a artista descreve como se de um conto se tratasse.

´"Tudo se resume a uma casa
simples, acomodada nas dunas, que fazia da praia o seu jardim e do mar o seu
lar. Por entre as portadas de madeira salgada e gasta, saltavam as cores das
flores tropicais, os aromas das folhas secas e lentas das palmeiras que se
baloiçavam na brisa. O sol teimoso, perfurava a pérgula de caninhas que
abrigava duas cadeiras de madeira calejada e à noite, suada do calor do dia,
era possível ouvir o mar galgando a praia, embalado pelo seu movimento
constante", lê-se no comunicado.

Joana
Fernandes nasceu no Funchal, onde começou a estudar artes. Mudou-se para o Porto para estudar arquitetura na Universidade Lusíada e após acabar os estudos, em 2018, começou a trabalhar como colaboradora
na área da arquitetura no Atelier Ludgero
Castro & Castros Lda.
Seguiu o seu percurso artístico em vários
ateliers, intercalando a sua participação em exposições, como 'Sea Matters' com
obras de pintura a óleo, na loja Vicent Porto e expôs também trabalhos em
aguarelas na loja Porto In.

Segundo a artista, a sua pintura é uma união
de figuras geométricas às cores. Afirma que esta expressão artística sempre foi
um pilar fundamental para o crescimento pessoal, artístico e cultural. As
suas pinturas são uma experiência permanente da arte contemporânea, explorando
arte abstrata e impressionismo, juntamente com um estudo da fenomenologia da
perceção, iniciado na arquitetura.

A artista recorda que à medida que foi
crescendo, as cores foram se conectando com formas geométricas, influenciadas
pelas pinturas geométricas de Kandinsky, as primeiras pinturas que admirava - e
mal sabia o que era ou quem era o artista, apenas “sentia” as cores e os
formulários. Hoje, visualiza nas suas obras conceitos como memória, sensação,
impulso, instinto, intenção, acção, cor e textura que resumem tudo, fazem parte
de uma natureza interna, pronta para ser absorvida e reinterpretada pela
percepção do outro.