‘Espinhos e Acúleos’ é o nome da mais recente exposição de
Martinho Mendes, que mostra diversas referências e testemunhos da cultura
material e artística existentes entre dois museus da tutela da Câmara Municipal
do Funchal, nomeadamente o Museu Henrique e Francisco Franco (MHFF) e o Museu A
Cidade do Açúcar (MACA). A exposição está patente desde 11 de Junho, tendo
contado, até ao momento, com a presença de mais de uma centena de visitantes,
nestes dois núcleos museológicos.

Através do ciclo de exposições denominado por ‘Partilhas
Francas’ que Martinho Mendes, criador artístico que coordena o serviço
educativo do Museu de Arte Sacra do Funchal onde exerce funções
técnico-pedagógicas no Serviço Educativo e de programação cultural e curadoria
na mesma instituição e Galeria dos Prazeres, apresenta um conjunto de elementos
artísticos e documentais que visam valorizar e, ao mesmo tempo, divulgar o
património museológico da cidade do Funchal.

O ponto de partido adoptado por Martinho Mendes foi o de
visitar a reserva do MHFF e eleger duas pinturas de Henrique Franco, ‘Bordando
no jardim e Jardim’, ambas de 1918, que há muito não eram expostas ao
público. A partir delas há um trabalho de deslocação e desconstrução
permanentes que orienta um conjunto de possibilidades de diálogo/confronto
entre os acervos expostos e os objectos que o artista introduz estrategicamente
no circuito expositivo dos dois espaços museológicos.

Esta teia de entrecruzar trabalhos dos diferentes espaços
museológicos fez com que viesse, por exemplo, do núcleo museológico da Cidade
do Açúcar uma fotografia documental que tem a ver com as escavações dos anos 80
feitas em torno daquele sítio arqueológico. É uma imagem que eu considero
bastante interessante e forte do ponto de vista da sua simbologia porque é
simultaneamente alguém que faz uma prospecção histórica sobre um determinado local
que tem haver com os primórdios do povoamento da ilha e, ao mesmo tempo, é uma
figura que encarna quase aquela dimensão psicológica que me interessa explorar,
aquela ideia de ir ao fundo do poço.
— Martinho Mendes

Este projecto consiste numa revisitação aos acervos museológicos
municipais, onde os artistas plásticos estabelecem diálogos entre a arte
contemporânea, a história do edifício, os seus espólios e a sua inserção na
cidade, valorizando e divulgando o património museológico da cidade do Funchal.