A defesa de Rosa Grilo, condenada a 25 anos de prisão pelo
homicídio do marido, Luís Grilo, vai recorrer para o Tribunal Constitucional da
decisão do Supremo Tribunal de Justiça, que hoje negou provimento ao recurso
apresentado.

"A defesa não esperava decisão diferente, ainda que
pragmática e racionalmente, de forma científica, fosse possível haver uma
decisão diferente. Mas estamos em Portugal e o sistema não está habituado as
estas coisas", disse, em declarações à Lusa, João de Sousa, perito forense
da equipa de defesa de Rosa Grilo.

De acordo com João de Sousa, o processo "ainda não
terminou", pelo que a defesa irá recorrer para o Tribunal Constitucional.

"Primeiro vamos analisar com atenção o acórdão do Supremo e
depois vamos para o Constitucional", afirmou.

Hoje, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) negou provimento aos
recursos apresentados pelas defesas de Rosa Grilo e de António Joaquim (amante
da arguida), mantendo a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa, que condenou
ambos a 25 anos de prisão (pena máxima) pelo homicídio de Luís Grilo.

Segundo João de Sousa, "existem 'n' situações no âmbito do
processo que não foram investigadas" e houve perícias que "não foram
devidamente realizadas".

"Isto é o desfecho normal da Justiça em Portugal",
acusou, lembrando que o processo "é demasiado mediático" e com
"muito ruído à volta".

De acordo com o perito, no momento em que a defesa "começou a
contraditar as instituições [...] dá-se de tudo e isto era mais do que
expectável".

"A defesa da senhora Rosa Grilo também disse à senhora Rosa
Grilo para estar preparada para o pior e esperar o melhor. Esperar, porque se
houvesse racionalidade e cientificidade na Justiça portuguesa... mas é assim o
que nós temos", declarou.

A defesa, acrescentou, tem invocado inconstitucionalidades desde o
início: "Aliás, em algumas delas até o Tribunal da Relação deu razão à
defesa".

A Lusa tentou contactar a
defesa de António Joaquim, sem sucesso até ao momento.

Segundo o acórdão do STJ,
a que a agência Lusa teve acesso, os juízes conselheiros decidiram manter as
penas máximas (25 anos de prisão) aos dois arguidos, pelo homicídio de Luís
Grilo, marido da arguida, ocorrido em julho de 2018, na casa do casal, nas
Cachoeiras, concelho de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa.

No julgamento, que decorreu no Tribunal de Loures, Rosa Grilo, em
prisão preventiva desde setembro de 2018, foi condenada em 03 de março de 2020,
por um tribunal de júri, a 25 anos de cadeia pelo homicídio do marido, enquanto
António Joaquim foi absolvido do crime.

A defesa da arguida e o Ministério Público, que discordou da
absolvição do arguido, recorreram para o Tribunal da Relação de Lisboa, que,
por acórdão proferido em setembro do ano passado, manteve os 25 anos de prisão
a Rosa Grilo e aplicou a mesma pena máxima a António Joaquim, revertendo
totalmente a decisão do tribunal de júri.

Ricardo Serrano Vieira, advogado de António Joaquim, arguido que
está em liberdade, e Tânia Reis, defensora de Rosa Grilo, interpuseram recursos
para o STJ, que agora confirma a decisão da Relação.