Um idoso de 84 anos que dirige,
juntamente com a mulher, uma associação de voluntários para ajudar refugiados a
chegarem a Trieste, no norte de Itália, está a ser investigado por
"favorecer a imigração ilegal", anunciaram hoje fontes policiais.
Gian Andrea Franchi e a sua mulher,
Lorena Fornasir, de 68 anos, ajudam imigrantes há dois anos através da
associação Linha d'Ombra e, na madrugada de terça-feira, a polícia foi à sua
residência para apreender computadores, documentos e telefones como parte de
uma investigação aberta contra ele.
Segundo a organização, os voluntários
só atendem os migrantes que chegam à cidade pela rota dos Balcãs: esperam por
eles em frente à estação de Trieste com medicamentos, desinfetantes e ligaduras
com o qual realizam um "lava-pés laico" para permitir a continuação
da viagem.
No entanto, o quartel-general da
polícia de Trieste justificou a operação em casa do casal como um golpe
"destinado a opor-se a uma organização criminal destinada à entrada e
trânsito de imigrantes ilegais com fins lucrativos", segundo o comunicado
da polícia.
Porém, como explicou Franchi na página
da associação na Internet, a investigação policial "baseia-se num ato de
assistência e hospitalidade dado em julho de 2019 a uma família iraniana".
"Querem associar-me a uma rede de
contrabandistas que, antes e depois da minha intervenção, se aproveitaram da
família de refugiados", vincou o homem de 84 anos.
Em nota, a associação referiu que
"hoje, em Itália, oferecer sapatos, roupa e comida a quem precisa para sobreviver
é uma ação mais perseguida pela polícia do que a apologia do fascismo".
