O primeiro-ministro afirma que o Plano de Recuperação e
Resiliência (PRR) destina diretamente às empresas 4,6 mil milhões de euros, aos
quais se somam outros apoios indiretos, além de contratos por programas de
habitação ou obras públicas.

Esta posição foi transmitida por António Costa num novo vídeo que
está hoje a ser divulgado no portal do Governo na internet e nas redes sociais
no âmbito da iniciativa do executivo "PRR em debate".

Neste vídeo, numa resposta indireta a críticas feitas por alguns
agentes de meios empresariais e por parte de dirigentes de partidos da
oposição, o primeiro-ministro começa por dizer que tem percebido que "há
algumas dúvidas se o PRR apoia devidamente as empresas".

"Gostava de chamar a atenção de que no PRR estão diretamente
reservados às empresas 4,6 mil milhões de euros para investir até 2026, desde
logo 1.209 milhões de euros para as agendas para a reindustrialização, 1.250
milhões de euros para a capitalização das empresas e 370 milhões de euros para
apoiar a criação de emprego", sustenta.

De acordo com o líder do executivo, no PRR está previsto "um
investimento muito forte na descarbonização da indústria, 715 milhões de euros,
a que se somam também apoios para as energias renováveis e para a eficiências
energética das empresas".

"E há 650 milhões de euros dirigidos diretamente para que as
empresas possam aproveitar todo o potencial da digitalização", refere.

No entanto, a par dos 4,6 mil milhões de euros destinados
diretamente ao investimento nas empresas, António Costa aponta que há também
"um conjunto de outros investimentos de que as empresas são indiretamente
beneficiárias".

"Quando investimos na melhor formação profissional,
designadamente na formação em engenharia, ciências, tecnologias, em artes,
estamos obviamente a investir na qualificação dos nossos jovens, mas, também,
indiretamente, a melhorar os recursos humanos das nossas empresas. Quando nós
estamos em investir em áreas de localização empresarial no interior e a abrir
novas ligações a Espanha, estamos a desenvolver o interior, mas,
simultaneamente, a criar melhores condições de atratividade para as
empresas", exemplificou o primeiro-ministro.

Depois, António Costa rejeita a existência de uma dicotomia entre
Estado e setor privado na economia nacional.

O líder do executivo refere então que, quando o país investe na
melhor qualidade dos serviços públicos, na sua digitalização e desburocratização,
está a reduzir os custos de contexto.

"São 260 milhões de euros só para melhorara a eficiência da
justiça económica", realça.

Além dos apoios indiretos, o primeiro-ministro aponta também o
valor para as empresas resultantes de contratos a celebrar nos próximos anos no
âmbito deste PRR.

"Quando decidimos fazer habitação para 26 mil famílias,
quando decidimos estender as redes de metro de Lisboa e do Porto, ou o elétrico
para Loures, no fundo a quem estamos a encomendar essas obras? Às empresas.
Seja pelos apoios diretos, seja pelos apoios indiretos, seja pelos contratos
celebrados com as empresas, o PRR apoia mesmo as empresas portuguesas",
defende o primeiro-ministro.

O PRR, que Portugal apresentou para aceder às verbas comunitárias
para fazer face às consequências da pandemia de covid-19, prevê 36 reformas e
77 investimentos nas áreas sociais, do clima e digitalização, correspondentes a
um total de 13,9 mil milhões de euros de subvenções.

Depois de um primeiro esboço apresentado à Comissão Europeia em
outubro passado, e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo
português colocou a versão preliminar e resumida deste plano em consulta
pública, no início da semana passada.

Segundo o executivo, foram definidas três "dimensões estruturantes"
de aposta - resiliência, transição climática e transição digital -, às quais
serão alocados 13,9 mil milhões de euros de subvenções a fundo perdido das
verbas europeias.

No documento, estão também previstos 2,7 mil milhões de euros
através de empréstimos.