O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel
Albuquerque, admitiu esta tarde que a ‘desejada’ expansão da aquacultura nos
mares da Madeira poderá concretizar-se com estruturas submersas, que diz ser uma
das novidades no sector.

“Pode ser e deve ser” foi a resposta do governante quando
questionado se essas jaulas submersas poderão ser a solução para ‘calar os
críticos’ na expansão da actividade de piscicultura na Região.

Embora reconheça que haverá zonas onde não poderam ser
colocadas essas estruturas de modo a conciliar outras actividades, nomeadamente
o lazer e recreio da população, assegurou que “uma das formas que poderá ser
adoptada passa por encontrar uma solução de ter jaulas que não causem esses choques
estéticos”, ou seja, estruturas que não ficam à superfície como as que
actualmente existem na Região.

Miguel Albuquerque falava à entrada para a cerimónia de
abertura da Conferência que é o maior encontro científico e técnico da Europa
na área da Aquacultura, a decorrer no Funchal, até quinta-feira, dia 7 de
Outubro.

Nas imediações uma dezena de ‘ambientalistas’ manifestava-se
contra a aquacultura.

“As pessoas têm o direito de se manifestarem contra ou a
favor. Nós não temos nada a opor a isso. Vivemos numa democracia”, reagiu Albuquerque.
“Agora é preciso é as pessoas estarem informadas”, acrescentou, para reforçar a
necessidade de “um trabalho pedagógico de informação, de explicar o porquê da
aquacultura ser o melhor que pode acontecer para os nossos mares, para a
preservação dos nossos ecossistemas e porque é que a aquacultura hoje, como é
feita, não põe em causa o ambiente. Antes pelo contrário, é uma das formas de
preservar os nossos ecossistemas”, assegurou.

Confrontado com o facto da actual presidente da Câmara
Municipal da Ponta do Sol já ter deixado claro que está contra a instalação de
aquacultura na frente mar do concelho, Albuquerque lembrou que esse é um
processo que está em análise. “O processo está suspenso. Vamos fazer um
trabalho pedagógico e vamos avançar depois com esclarecimentos junto da
população. Não vamos avançar contra ninguém”, disse. Considerou “uma questão de
sensibilidade estética” quem “não gosta de ver as estruturas, que são
provisórias”, mas também disse que pela mesma razão qualquer cidadão pode não gostar
de ver um barco no mar ou a arquitectura de uma casa, para reforçar que tudo
não passa de “juízo estético”. Agora “dizer que a aquacultura polui o mar, não
é verdade. Que destrói os ecossistemas marítimos, não é verdade. E é cientificamente
sustentável, como aliás está mais que provado, por ser uma prática amiga do
ambiente”.

Criticou de resto os pseudo ambientalistas.

“Quais ambientalistas?”, começou por questionar, para
concluir que os verdadeiros ambientalistas “não são determinadas personalidades
que gostam de fazer política à custa do ambiente. A questão ambiental é uma questão
muito séria que deve ser analisada cientificamente. Não é para fazer chinfrim
político” repudiou. “Também posso dizer que sou ambientalista”, rematou.

Por último, garantiu que “o impacto ambiental da
aquacultura na Madeira é residual ou inexistente”.