A Câmara Municipal do Funchal expressa o seu mais
profundo pesar pelo falecimento, esta terça-feira, dia 8 de Setembro, de
Vicente Jorge Silva, "uma figura maior do jornalismo português", endereçando aos
seus familiares e amigos as mais sentidas condolências.

O Presidente Miguel Silva Gouveia destaca "o
percurso de referência deste madeirense notável, que fez história no jornalismo
do nosso país, antes e depois do 25 de Abril, e uma carreira sempre marcada
pela coragem, pela capacidade de inovação e pela integridade e pensamento
próprio, valores que nunca deixaram ninguém indiferente, também no cinema e na
política, outras áreas que abraçou com paixão e convicção."

No passado mês de Abril, e em pleno período de
confinamento ditado pela crise de saúde pública, Vicente Jorge Silva foi um dos
convidados de Miguel Silva Gouveia para a iniciativa 'Falar Funchal',
então transmitida semanalmente nas redes sociais da autarquia, "para uma
conversa sobre o 25 de Abril, a liberdade de imprensa e a importância do
jornalismo para a democracia, temas que marcaram o Portugal do último meio
século e que encontraram em Vicente Jorge Silva um protagonista indiscutível,
justamente quando era mais necessário".

"Foi um prazer debater com ele e uma
mais-valia para todos os madeirenses ter uma plataforma para ouvir um dos seus,
que apesar de viver em Lisboa há muitos anos, sempre manteve uma relação muito
presente com a nossa terra", frisou.

Vicente Jorge Silva nasceu no Funchal a 8 de Novembro de 1945. Em 1966, depois de um período passado no estrangeiro, assumiu
a direcção do jornal Comércio do Funchal, que desempenhou um importante papel na
renovação da imprensa regional portuguesa, sendo conotado com a oposição ao
regime salazarista. Em 1974, ingressou no semanário Expresso, fundado dois anos
antes, onde exerceu as funções de chefe de redacção e de director-adjunto, e onde
criou e dirigiu a Revista Expresso. Em 1990, foi cofundador e primeiro director
do jornal Público. Já foi, igualmente, colaborador do Diário Económico, Diário
de Notícias, semanário Sol e SIC Notícias, ao que somou um percurso como
realizador de cinema, uma das suas grandes paixões.

"O seu falecimento deixa o pensamento crítico
em Portugal mais pobre, mas o seu exemplo subsistirá para todos aqueles que
acreditam numa comunicação social consciente, independente, justa e ao serviço
de uma melhor democracia", conclui o Presidente.