Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, "deste
valor, 81,9 milhões de toneladas foram registadas no Continente, o
correspondente a 96%, 1,2 milhões de toneladas na Região Autónoma da Madeira (corresponde a 1,4%) e
2,2 milhões de toneladas na Região Autónoma dos Açores". No que toca à Madeira foi o maior volume de mercadorias movimentadas desde 2012 (o máximo em 8 anos, desde a última crise), registando-se também o quarto ano consecutivo de aumentos na mercadoria movimentada, numa série positiva que só tem paralelo entre 1995 e 1999, na altura com valores bem superiores. O ano recorde, contudo, continua a ser 2004 com 2,16 milhões de toneladas.
"Enquanto regulador económico independente, a AMT elabora anualmente um relatório sobre o 'Tráfego
Marítimo de Mercadorias no Contexto da Intermodalidade', com o objetivo de aprofundar o conhecimento do
ecossistema que constitui o objeto da sua atividade, traçando o retrato do ano
e mencionando quais as tendências e os desafios do comércio internacional".
Assim, "neste relatório, correspondente
ao ano de 2019, é feito um retrato atualizado do ecossistema
marítimo-portuário, contextualizado pela caracterização dos fluxos de
mercadorias movimentadas nos vários modos de transporte, no âmbito do comércio
internacional".
Segundo
os dados apurados, "nos diversos modos e para os diversos tipos e natureza, no ano de
2019 foram movimentadas, pelos diversos modos
de transporte (nomeadamente marítimo, rodoviário, ferroviário e aéreo), cerca de 243,9 milhões de toneladas de
mercadorias, um valor inferior em -3,4% ao volume registado no ano
anterior, tendo o tráfego nacional sido responsável por 60,4%, correspondente a
147,3 milhões de toneladas, 90,8% das quais foram processadas por modo
rodoviário. A grande maioria do transporte de mercadorias realizada por modo
ferroviário realiza-se também a nível nacional, tendo-se situado no ano em
análise na casa dos 79,2%, após uma quebra de -13,2% face ao volume apurado em
2018".
Já "no mercado internacional o modo
preferencial de transporte de mercadorias é, naturalmente, o marítimo, que
registou em 2019 um volume de 72,7 milhões de toneladas, correspondente
a uma quota de 75,2%. Ainda neste mercado, o modo rodoviário representou uma quota
de 22,6%, muito por efeito das trocas comerciais com a Espanha. O modo aéreo
registou no tráfego internacional 87,2%, refletindo um acréscimo de +11,7%".
No tocante às
exportações, "o modo marítimo foi responsável por 49,5% do peso das mercadorias
transportadas e 30,1% do respetivo valor, tendo cabido ao rodoviário
respetivamente quotas de 42% e de 59,2%".
Portugal é quinto país com tráfego internacional de navios de bandeira
No tráfego nacional,
Portugal mantém a 1ª posição como país de registo preferencial dos operadores
deste tráfego, com 77,6% (embora o volume de mercadorias transportadas tenha
recuado -3%), seguindo-se a Alemanha, com 5,7%, a Suíça, com 4,2%, e os Países
Baixos, com 3,1%", explica. "A Libéria é o país de
registo de navios com maior movimentação em termos de tráfego internacional,
responsável por 13,9% do total, seguindo-se o Panamá (que em 2018 ocupava a 1ª
posição) a representar 13,3% da tonelagem transportada. Neste capítulo Portugal
mantém-se na quinta posição, embora tenha recuado -0,8 pp, representando agora
6,3%.
"O volume de contentores movimentados
atingiu em 2019 um total de 2.662.700 TEU, volume inferior em -9,3% ao registado no ano anterior. Esta
variação negativa resulta exclusivamente do comportamento do porto de Sines
que regista uma diminuição de -332.231 TEU, a que corresponde um recuo de
-18,7%, anulando as variações positivas apuradas nos restantes portos com
atividade regular de contentores", afiança. A Madeira, apesar de ter registado uma quebra de -8,3% (61.856 contentores), viu crescer o volume de mercadorias em +2,6%.
Ainda segundo o relatório 'Tráfego Marítimo de Mercadorias no Contexto da Intermodalidade' e "considerando
a tipologia definida na Diretiva Marítima, o movimento de navios em 2019 foi
caraterizado por um total de 10.452 escalas e uma arqueação bruta (GT) de cerca
204,5 milhões, traduzindo, face a 2018, um acréscimo de +1,2% e um decréscimo
de -0,5%, respectivamente". E acrescenta: "O maior número de
escalas foi observado no conjunto dos portos de Douro e Leixões, com 24,4%,
mais três escalas do que as registadas em Lisboa (também 24,4%), tendo Sines
registado 20,2%, Setúbal 14% e Aveiro 10%."
Não há referências neste particular às duas regiões autónomas, mas pelos dados divulgados pela Direcção Regional de Estatística da Madeira, sabe-se que terão feito escala pelo menos 993 embarcações comerciais nos portos regionais.
Reforça-se que "o presente relatório, agora divulgado pela Autoridade da Mobilidade e
dos Transportes, tem por base as estatísticas produzidas pelas administrações
portuárias com jurisdição dos portos comerciais marítimos do Continente, no
âmbito da Diretiva 95/64/CE do Conselho da União
Europeia (vulgo ‘Diretiva Marítima’), definida pelo Eurostat, bem como a
informação disponibilizada pelo INE em sede do Comércio Internacional de Bens e
de Transportes e Comunicações, e ainda da Comissão Técnica do Registo
Internacional de Navios da Madeira (MAR)".

