O alerta, em tom preocupante, partiu da voz do presidente da Associação Comercial e Industrial do Funchal (ACIF), Jorge Veiga França: mais de um terço das lojas do centro urbano da cidade do Funchal estão de portas fechadas. É este o resultado dos inquéritos que
a ACIF tem vindo a desenvolver na baixa da capital madeirense, num levantamento que tem sido feito à ‘porta fechada’.
“Andaremos à volta
de mais de um terço das lojas com portas fechadas no centro urbano da cidade do
Funchal”, disse Jorge Veiga França, lamentando o facto de a breve trecho
passarmos a assistir “infelizmente” a mais falências. “Existem vários empresários
em nome individual que este mês já apresentaram pedidos de insolvência”,
acrescentou, enquanto falava na tomada de posse da Mesa da Secção de Comércio Lojista, a ser liderada por Rodrigo Gouveia no próximo triénio.
O presidente da Associação abordou também a
questão de que “muitas destas empresas” são ‘micro’ e de cariz familiar, ou
seja, os sócio-gerentes e funcionários são do mesmo agregado. Em muitos casos, as lojas estão também ligadas a empresários em nome individual do comércio lojista
tradicional.
Vamos ter muitas
falências seguramente e desemprego resultantes desta actividade (...) estamos numa fase muito
avançada deste problema e as almofadas financeiras esgotaram-se.
Já Rodrigo Gouveia, recém-empossado presidente da Mesa do Comércio Lojista da ACIF, recordou que “95%
do tecido empresarial” da Madeira “é composto por Micro, Pequenas e Médias
Empresas”, ou seja, “as micro e as pequenas empresas têm um volume de facturação,
naturalmente pela sua estrutura, mais reduzido”, o que significa que “não têm
uma capacidade instalada para suportar uma situação de crise e de falta de
facturação tão alargada como estamos a viver”.
"Os apoios são
fundamentais, com carácter urgente, mas temos de fazer e adequar os apoios em
proporção da realidade e necessidade de cada empresa, porque o sector é grande,
diversificado, mas existem na óptica de quebras de facturação percentagens que
são diferentes entre actividades, sectores e lojistas. Não podemos olhar para o
problema de uma forma generalizada, porque se uns podem ter quebras na ordem
dos 40%, poderá haver situações mais dramáticas que chegam a atingir os 90%. É
preciso adequar os apoios conforme o grau de necessidade", sugeriu Rodrigo Gouveia.
Os meses de
pandemia têm sido passados com um sentimento de resiliência por parte das
empresas, com a expectativa de que o dia seguinte será melhor. Acontece que nós
vamos já há nove meses nesta situação e de dia para dia as expectativas caem
por terra. Quando esperamos que o dia seguinte seja melhor e que haverá uma retoma
isso não acontece. Portanto, essa situação torna o processo todo ele agoniante
do ponto de vista financeiro e de liquidez, que chegam já a atingir um patamar
muito preocupante. É muito preocupante, porque vamos passar para o exercício
seguinte. Estamos num mês que seria impulsionador de vendas, mas que face às
restrições e situação económica social isso não está a acontecer. Coloca-nos
numa situação dramática.
A visão drástica deixa o presidente da mesa ciente dos "desafios que o comércio lojista e todo o tecido empresarial enfrentam hoje
e vão enfrentar nos próximos anos". Rodrigo Gouveia deu algumas ideias.
"É, pois, um momento de convergência e
cooperação. É fundamental colocar as empresas no centro da recuperação da
economia apoiando a tesouraria das empresas economicamente viáveis, criando
mecanismos como a possibilidade de dedução dos prejuízos fiscais gerados em
2020 e 2021 aos lucros dos últimos exercícios, e adoptar mecanismos de
incentivo e créditos fiscais para fomentar a revitalização das empresas e o seu
crescimento", indicou, vincando que "o comércio é uma actividade estruturante da organização social e com grande importância no contexto da economia regional".
