Boa noite!

Numa altura em que a pandemia aperta o cerco, os surtos começam
a ser notícia, os lares ficam mais desprotegidos, e os estudantes, emigrantes e
turistas chegam em força, eis que a barraca abana e o chão começa a fugir, a
julgar pelas contradições e incertezas indisfarçáveis, presentes em tomadas de
posições públicas dignas de reparo. Não são inéditas, mas agora ganham outros
contornos.

Dada a incoerência crescente, é caso para perguntar: quem é que afinal anda desorientado?

Os do Sul, a exemplo de Miguel Albuquerque que numa questão
básica – a dupla testagem, bem pensada do ponto de vista da saúde pública, mas
assumidamente com “falhas” – altera as regras em vigor quanto a prazos para os
que chegam com teste negativo porque finalmente percebeu que a logística dos testes é brutal e não há meios humanos e
técnicos para testar milhares de pessoas por dia nesta quadra natalícia? E
agora? É para dizer aos residentes que não voltem à sua terra pois mesmo
chegando com teste feito e negativo vão passar a semana isolados, correndo o
risco de regressarem à casa da partida sem o segundo teste feito e, pior, sem
cumprirem com aquilo que os trouxe à Região?

Os de Leste, a exemplo da Câmara de Machico que enveredou pelo
caminho mais fácil, o de atacar o mensageiro numa situação objectivamente
realista, fazendo publicar ofensas lamentáveis a um meio de comunicação social que
está sempre pronto para ajudar o concelho a superar-se? Os factos são
indesmentíveis e superiormente explicados esta tarde pelo jornalista Élvio
Passos.

Não vamos repetir a argumentação que sustenta a notícia. Apenas queremos deixar
claro que a uma semana do Natal ou de qualquer outra data, este órgão de
comunicação social não se inibe de dar notícias que alguns teimam em ver
escondidas, nem se esconde em juízos de valor orquestrados. Acusar-nos de “clara
intenção de denegrir a imagem do município, do comércio e da economia local” é
comprovadamente uma tentativa de vitimização insustentada, quem sabe motivada
por disputas futuras que já fervem e por desesperos que o tempo ajudará a
perceber.

Mas em Machico há gente lúcida que sabe que a justiça das
redes é tão perigosa quanto a forma leviana de fazer política e que tudo tem
feito para superar uma crise que não escolhe territórios e, no caso do comércio, não é recente. Para os corajosos
machiquenses que fazem mais do que falam deixamos a garantia que estamos sempre disponíveis
para ajudar os que hoje se sentiram desanimados e a confortar os que têm
profundas razões de queixa. Quem não se sente, não é filho de boa gente, mas
não foi aqui que leram que o vírus é castigo.

Os do Oeste, a exemplo daqueles que organizam eventos
clandestinos, sem as devidas cautelas e licenças, promovendo ajuntamentos e
jantaradas, à boleia de ralis e afins?

Os do Norte, a exemplo do presidente do Governo que a 4 dias
do Natal vai dar uma conferência, segunda-feira às 17h, destinada a “um
balanço das medidas tomadas ao longo dos últimos tempos e anunciar as novas
medidas a vigorar na quadra natalícia e no fim-de-ano, no âmbito do controlo da
pandemia e da salvaguarda da Saúde Pública e da vida dos madeirenses e dos
porto-santenses”, isto depois de ter passado o dia a garantir que não vai
mexer na medidas para o Natal e Fim-de-Ano?