“Queremos ver para crer”, reagiu líder do Grupo Parlamentar
do Partido Socialista à manchete de hoje do DIÁRIO, que dá conta da intenção do
Governo Regional de pagar 5 milhões de euros pelos testantes 51,14% da Sociedade
de Desenvolvimento da Madeira actualmente detidos pelo Grupo Pestana SGPS (47,73%
e Francisco da Costa & Filhos (3,41%). “Ou muito nos enganamos, ou estamos
perante uma mentira de Pedro Calado”, afirmou Miguel Iglésias, para quem esta
negociação do Governo com o grupo privado que tem a concessão da Centro
Internacional de Negócios da Madeira (CINM) é uma tentativa de resolver a “ilegalidade”
da concessão em 2016 e o “imbróglio” gerado por esta. “Querem atirar pó para os
olhos, mas não vai acontecer”.
O deputado do PS não acredita que a solução vá ficar por
este valor e recorda que em Janeiro deste ano fonte da SDM afirmou ao jornal
Público que a venda da maioria do capital poderia ficar em 40 milhões de euros.
O ajuste directo da concepção e exploração do CINM à SDM em
2016 foi “ilegal” no entender do PS, que refere o processo apresentado na
Comissão Europeia e a auditoria do Tribunal de Contas, que veio nesse sentido.
Segundo o parlamentar, o Governo Regional está desde o final do ano passado à
procura de uma solução, “uma via que lhe permita resolver todo este imbróglio.
E na sua opinião passa por indemnizar este grupo privado pelo acto ilegal que o
próprio Governo regional cometeu.”
Miguel Iglésias critica o facto de Pedro Calado não ser
claro nas contas, ao não referir o valor a pagar pela Região pelo activo
líquido da empresa. Remetendo novamente para a notícia do Público, recorda que a
fonte da SDM referiu que este entraria no cálculo para a concretização do
negócio e que rondaria os 10 milhões de euros, assim como os cerca de 4 milhões
dos resultados líquidos anuais, multiplicados pelos anos que faltaria cumprir.
“O vice-presidente Pedro Calado não explicita nem explica os
descontos que refere, relativamente a pagamentos, fornecedores, etc., não
refere também qualquer valor relativamente ao activo líquido da empresa e portanto
parece-nos que esta negociata, que não tem outro nome, não vai ficar por 5
milhões de euros”. O processo, acrescentou, “tem sido tudo menos transparente”.
O líder parlamentar vê a notícia lançada pelo vice-presidente
como “apenas uma tentativa de lançar poeira para os olhos e tentar que durante uns
dias não se fale mais no assunto. Mas não será o caso”, garantiu.

