Quase metade das
empresas madeirenses beneficiaram do acesso a novos créditos com juros
bonificados ou garantias do Estado, durante a pandemia, sendo esta uma medida considerada
muito importante por 35% das empresas. 39%, recorreu à suspensão do pagamento
de obrigações fiscais e contributivas e ao incentivo extraordinário à normal
normalização da atividade económica. 38% das empresas beneficia atualmente da
moratória ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes e 37%
beneficia do apoio à retoma progressiva/layoff simplificado.

Este é um dos resultados divulgados hoje pela Direcção
Regional de Estatística da Madeira (DREM) relativamente à recolha selectiva do COVID-IREE
– Inquérito Rápido e Excepcional às Empresas, operação estatística criada pelo
Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Banco de Portugal (BdP), para identificar
alguns dos principais efeitos da pandemia COVID-19 na actividade das empresas.

Outro dado importante diz respeito à manutenção dos postos de
trabalho. 91% das empresas da
RAM deverão manter os postos de trabalho até ao final de 2020. No entanto, 9%
das empresas regionais pretendem reduzir o número de efectivos.

Já em 2021, 85% das
empresas da Madeira planeiam manter ou aumentar os postos de trabalho e 15% tem
intenções de reduzir, percentagens que no país são de 87% e 13%, respectivamente.

19% das empresas têm
intensão de alterar, de forma permanente, a sua forma de trabalhar em
consequência da pandemia Covid-19 e 60% das empresas considera muito provável
reduzir de forma permanente o número de viagens de negócios e a mesma
percentagem refere a reorganização das equipas de trabalho como uma realidade
muito provável.

O uso mais intensivo
do teletrabalho foi referido por 19% das empresas como uma alteração muito
provável na atual forma de trabalhar, percentagem inferior à do país (31%).

No que diz respeito ao
mercado das empresas, 74% das empresas afirma que o ambiente concorrencial no
mercado onde operam não se alterou nos últimos seis meses (79% no país). No que
respeita à alteração da relação com os principais clientes/fornecedores, 30%
das empresas já reduziu ou vai reduzir os stocks de produtos necessários à actividade
e 25% vai redirecionar os mercados alvo. Apenas 19% das empresas referem já ter
alterado ou tencionam alterar as cadeias de fornecimento (14% no país).

O inquérito apurou ainda
que apenas 10% das empresas tencionam recorrer aos fundos do Plano de Recuperação
e Resiliência (“Next Generation EU”). Das restantes, 48% consideram que não
existe ainda informação disponível suficiente para uma tomada de decisão e 42%
das empresas não pretendem concorrer a estes fundos. As percentagens a nível
nacional são, pela mesma ordem, de 8%, 45% e 47%;

Em
termos de análise de sensibilidade das empresas, 72% mostraram-se muito preocupadas e 22% manifestaram uma
preocupação moderada face a um cenário de agravamento ou prolongamento das
medidas de contenção da pandemia.

80% das empresas não
prevê o encerramento num cenário de agravamento das medidas de contenção da
pandemia e de ausência de medidas adicionais de apoio. Por outro lado, 20% das
empresas estimam subsistir, em média, 5,1 meses, se tal cenário de agravamento
se verificar. No país 16% das empresas estimam subsistir em média 7,1 meses;

Num cenário de
agravamento das medidas de contenção (semelhante ao observado durante o estado
de emergência que vigorou em Março e Abril), uma proporção significativa de
empresas considera que seria muito importante estender as medidas de apoio do
Governo: 63% no caso da suspensão do pagamento de obrigações fiscais e
contributivas, 60% no acesso a novos créditos com juros bonificados ou
garantias do Estado, 57% no layoff simplificado e 50% no caso da moratória.

Num cenário de
controlo efectivo da pandemia em 2021, 30% das empresas consideram que a actividade
já voltou ou voltará ao normal num intervalo médio de 10,1 meses (a nível
nacional os valores são de 34% e 9,8 meses, respetivamente). No mesmo contexto,
duas em cada três empresas não conseguem antecipar se o seu volume de negócios
voltará ou não ao nível normal;