É uma bolsa de oxigénio mas não é possível falar em retoma,
diferencia Ciríaco Campus, director do mais antigo hotel da Madeira. O gestor do
Belmond Reid's Palace acredita que o reforço de operações das companhias - estão
previstas 437 chegadas e 77 mil lugares - poderá contribuir para um Natal “um
pouco melhor” do que estavam à espera, mas que ainda vai demorar até que a
hotelaria volte ao que era. O reforço do pessoal nesta quadra será de acordo
com a procura e em Janeiro não há planos para fechar.

À frente da unidade hoteleira desde 2013, Ciríaco Campus tem o compromisso
de manter o hotel aberto e os 150 postos de trabalho que tem neste momento. “Temos
de tomar esta notícia com moderado entusiasmo”, começa por dizer. “Daqui a falar
de retoma passa muita água debaixo das pontes”.

O director está confiante que o
reforço da operação área, que faz manchete hoje na edição do DIÁRIO, vai aumentar
o número de turistas e acrescenta que todos os voos para trazer visitantes nesta altura muito difícil são bem-vindos. Mas alerta para não ir em
grandes festas, até porque no seu entender nem é o mês todo, são as semanas da quadra
festiva. “Há companhias que vão começar a viajar a metade do mês de Dezembro”.

Ciríaco Campus espera que os voos programados realmente se concretizem. Revela
que como hoteleiro o mais complicado é a ausência de clientes.

Quanto ao próximo ano, não prevê encerrar o hotel nem em Janeiro
ou nos meses seguintes. “Não temos planos de fecho do hotel”, afirmou, apesar
de dizer que há “boatos” nesse sentido. Enquanto houver condições, o hotel vai
estar em funcionamento e só fechou este ano porque não havia meios para o manter aberto.

Ciríaco Campus não entra nos valores diários para manter o histórico hotel em funcionamento. “São
custos muito altos, estamos a falar de muitos milhares de euros por dia”.

Nesta casa, Outubro foi um mês mais positivo, com cerca de 35% de
ocupação. “Quando digo bom, é tudo contextualizado nesta situação”, esclarece o director, pois em outras alturas estes valores seriam olhados com outros olhos. Já
Novembro, com o anúncio do ‘lock down’ na Inglaterra, a ocupação voltou a
baixar.

“É complicado manter o hotel aberto, temos que aguentar,
temos que ter uma atenção muito grande no que diz respeito aos custos e tentar balançar
a pouca receita com os custos".

Sobre o reforço da equipa, o administrador diz que será consoante a ocupação e o volume de negócios. “Se aumentar
o volume de negócios termos que alinhar as contratações de trabalhadores”.

Neste momento, o hotel não tem trabalhadores em lay-off e
tem 150 pessoas ao serviço. “Penso que ainda somos o hotel com mais pessoal”, afirmou.