A
ALBOA, Associação de Lesados do Banif, está descontente com a actuação do
Banco de Portugal por “manifesta morosidade e falta de informação e
diálogo” e lamenta que o Banco de Portugal tenha levado quatro anos e
meio para produzir o único relatório referente ao assunto (Relatório
Baker Tilly, nome da consultora a quem o Banco de Portugal encomendou o
estudo), refere a associação dos Lesados através de comunicado.

“Por
imperativos legais, o Banco de Portugal, na qualidade de entidade da
Resolução, tem de solicitar uma avaliação independente à entidade
resolvida (no caso, o Banif), para efeitos, nomeadamente, de ressarcimento
de créditos e fê-lo encomendando a avaliação à já referida
consultora Baker Till”, diz a ALBOA, salientando que em
condições normais, o Relatório da Baker Tilly teria sido disponibilizado “pouco
depois da Resolução”.

Por
isso, a ALBOA solicitou oficialmente a informação do Relatório, uma vez que é "essencial
para o cálculo da recuperação de créditos dos Lesados do Banif e
outros credores do Banco" na senda da "legítima defesa dos seus
interesses".

Na
sequência desse pedido, o Bando de Portugal deu a conhecer, em Julho deste
ano, que o Relatório Baker Tilly estava efectivamente produzido. Mas não o
divulgou. “Emitiu tão somente uma Nota Resumida onde se refere que os
accionistas e os credores subordinados não têm praticamente nada a receber
do Fundo de Resolução” porque “não foram apresentadas”.

A
ALBOA diz que nada sabe sobre o referido Relatório do Banco de Portugal, que
é importante para a defesa dos legais direitos dos seus associados e levanta
questões sobre a “clareza” do processo.

Passados
praticamente cinco anos desde a Resolução do BANIF, e nove meses após a recepção do
Relatório da Comissão de Peritos da Ordem dos Advogados (processo feito
com o acompanhamento do Gabinete do Primeiro-Ministro), a ALBOA continua sem
conseguir dar o passo seguinte: negociar com o Governo as condições para a
criação de um Fundo de Recuperação de Créditos.

A
situação agrava-se quando o Secretário de Estado das Finanças diz que o
Governo está à espera de informação do Banco de Portugal.

Por
isso, a ALBOA “não pode deixar de expressar o seu descontentamento e sua
apreensão por mais este compasso de espera representado pelo
anunciado pedido de informação ao Banco de Portugal”.