A indicação da direcção clínica, com aprovação da administração
do SESARAM - Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira para que os doentes
à espera de internamento sejam retirados da Urgência do Hospital Dr. Nélio
Mendonça e encaminhados para outros serviços ou para os corredores das
enfermarias, que faz manchete hoje na edição do DIÁRIO, é considerada pela
Comissão de Utentes do SESARAM uma “operação de cosmética” e não uma verdadeira
solução para o problema da falta de camas. “É esconder os pacientes que existem
nas urgências”, critica Carolina Cardoso, que teme que mais doentes sejam “perdidos”.
A representante entende que a medida não se afigura como solução
para os utentes. “Há é uma operação de esconder utentes para que não se veja o
real problema das urgências”. No seu entender, os pacientes “continuarão a não
ser atendidos como necessitam porque vão estar escondidos outro andar qualquer”.
Além de entender que os cuidados não serão os ideais, teme
que se torne mais complicado seguir o paciente no seu percurso dentro da instituição.
“Se no Serviço de Urgência já se perdiam utentes, e não se sabia onde é que os
utentes estavam, agora ainda mais fácil é perdê-los, porque vão-se esquecer
para que serviço é que os mandaram”.
As críticas não se ficam por aqui. Carolina Cardoso acusa o Serviço
de Saúde de estar “virado essencialmente” para o combate à covid-19, e afirma
em nome da Comissão, que o caso não está tão grave na Madeira que justifique “a
paragem” da saúde na Madeira. “Ao contrário do resto do país, ainda não há uma
retoma efectiva e agora é só mais uma manobra de cosmética que não resolve os
problemas dos utentes”, lamentou.
