Todos os dias a movimentada Avenida Arriaga acolhe Jaime e tantos
outros senhores que passam o tempo sentados a observar a correria do
quotidiano.
Jaime admite não ter muitos amigos e vive bem assim: “Eu
prefiro andar sozinho sem amigos, venho para esta Avenida, sento-me aqui e fico a conversar um
bocadinho, depois canso-me vou para casa. É esta a minha vida”.
Cansado está de esperar pelo emprego que parece nunca
aparecer. Ao DIÁRIO Jaime contou nunca ter saído da Região. Entre a Madeira e o
Porto Santo trabalhou em várias áreas, mas admite preferir a jardinagem.
Estive a vida toda na Madeira, a andar para cá e para lá. Já
trabalhei como jardineiro, dentro de ribeiras a acartar pedras, de manha até a
noite, enfim, uma vida de trabalho para agora não ter nada.
Jaime está desempregado, recebe alguns subsídios, mas diz que “não
dão para quase nada”. Nos últimos três meses tem morado no bairro de Santo Amaro,
mas espera mudar-se brevemente para outro lugar.
"Não estou lá muito bem porque eu sei o que sou. Lá há muita
zaragata, 'bandidagem', é uma vergonha, não consigo estar acolá.” Conta que um
vizinho já tentou entrar várias vezes no seu apartamento com a desculpa
que faz confusão: “Põe a chave dele, força a entrada, eu vou lá e ele pede
desculpas, mas no outro dia torna a fazer outra vez. Ele diz que é da droga e
que não sabe o que está a fazer.”
Jaime Pereira aguarda ansiosamente por
um trabalho, tem esperança em conseguir algo na área da jardinagem, mas diz que
hoje em dia “qualquer coisa que apareça é uma oportunidade”, apesar de reconhecer
que a idade já pesa.