Tenho por norma há muitos anos, colecionar recortes de jornais no que á parte desportiva dizem respeito e que direta ou indiretamente comentam assuntos do meu clube, o Marítimo.

Há alguns dias revisitando o meu arquivo desportivo, lá encontrei um recorte do DN do dia 9-12-18 que relatava o jantar de aniversário do clube da Madeira que na próxima época vai disputar a 2.ª Liga e li no discurso inflamado de exaltação clubística do presidente do clube, entre outras a seguinte “preciosidade”. “I have a dream e em maio falamos”.

O Martin Luther King não viu o seu “sonho” realizado porque o assassinaram, mas o Sr. º Presidente uma vez que está vivo e passou o mês de maio poderia ter já desvendado o “I have a dream e em maio falamos”.

Atendendo a que muito daquele discurso apontou baterias ao Marítimo, que por essa altura estava entalado nos últimos lugares da classificação, não ganhava a ninguém e estava a jogar francamente mal, foi minha convicção que o sonho do Sr.º Presidente, andaria muito próximo da descida do Marítimo à 2.ª Divisão.

Por ter crescido numa família de 8 irmãos (2 do Marítimo e 6 da Choupana) habituei-me desde menino a conviver com um ódio visceral ao meu clube. Até tinha um irmão que dizia com muita piada “Não me importo que o meu clube perca, não quero é que o Marítimo ganhe”. Nós eramos todos amigos e quando havia zaragata não era coisa que o meu pai não resolvesse á chapada. Por fim aconselhava os meus amigos da Choupana a não se preocuparem tanto com o Marítimo, porque se continuarem assim, nunca passarão dum clube “pequeno”.

A menos que o sonho do Sr. º Presidente tenha qualquer outro significado, apetece-me repetir o que o meu avô dizia com muita frequência «Quem quer mal ao seu vizinho, o seu mal vem pelo caminho.» Penso que o Sr. º Presidente não precisa destes ataques permanentes ao Marítimo para se valorizar, pois tem feito um bom trabalho à frente do clube a que preside, só com o senão de estar ligado á maior humilhação a uma equipa da Madeira. Veja-se os 10-0 aos pés dos putos do Benfica.

Celestino Fernandes