Salvo algo que me esteja a escapar, associar a quebra de ocupação hoteleira, por altura da Festa da Flor, aos preços praticados pela TAP, apelidados de proibitivos, é pura demagogia.
Ora vejamos:
1. Se os preços da TAP na rota do continente para a Madeira estão altos, significa que os VOOS PROGRAMADOS estão cheios e que a procura é muito elevada. Ou seja, boas notícias para o destino;
2. Se são passageiros disponíveis para pagar preços altos, significa que a grande procura gerou natural selecção de turistas, com elevado poder de compra, que valorizam o destino (mais do que outros);
3. Se o cenário fosse o inverso, preços muito baixos, significaria que os voos da TAP estariam com baixa ocupação e, por essa via, poucos turistas a chegar (residentes representam cerca de 30% da ocupação dos voos);
4. Para o mesmo nº de frequências, a Madeira lucra mais com turistas de maior poder de compra;
5. O motivo da quebra de ocupação de alguns hotéis, por ocasião da Festa da Flor, não decorre dos voos TAP cheios a preços elevados, mas sim da quebra de ligações aéreas dos mercados internacionais de origem;
6. Esta a causa verdadeira, expurgada do “glamour” de retóricas “eficazes” na captação de votos e não para a captação de voos e passageiros;
7. No tempo que vivemos, e elegemos, do modelo low cost, os “low price” praticados nas épocas baixas, de fraca procura, geradores de prejuízos para as transportadoras, são compensados nas épocas de grande procura com “high prices”;
8. Adjectivar de “proibitivos” (paradoxo, porque sinónimo de voos cheios) os preços livremente praticados e contratados por quem vende e quem compra é querer, por decreto, definir preços certos numa lógica estatista com fragrâncias marxistas;
9. A ambição das companhias por preços altos e rentabilidades elevadas, é legítima e saudável;
10. São as rentabilidades elevadas e lucros robustos que permitem às companhias aumentarem o número de rotações; melhorarem as condições dos seus trabalhadores e investirem em aviões mais modernos e melhor serviço;
11. Quanto mais procura houver e quanto mais alta for a ocupação dos voos, reunidas estarão as condições de contexto para que as companhias existentes coloquem mais frequências e novas transportadoras se interessem na linha, ou seja, as condições naturais e saudáveis para mais concorrência e, no futuro, preços mais competitivos. Um ciclo que, naturalmente, tem de ser percorrido;
12. E não me venham com o argumento cansado e estéril da companhia de bandeira com obrigações de serviço público. A TAP, hoje, felizmente para os contribuintes, tem nos privados um grande peso accionista, o controlo absoluto da gestão e a quase totalidade dos interesses económicos e, só por motivos eleitoralistas, um avalista “ingénuo” e irresponsável, o Estado;
13. E também não pega a teoria precipitada que o subsídio de mobilidade subsidia os preços altos da TAP. Subsidia é o residente e, por consequência, a maior procura, as maiores ocupações dos aviões e a maior flutuação de preços. O melhor de dois mundos não existe;
14. Quanto aos preços muito elevados suportados pelos madeirenses, o problema decorre não da liberalização da linha ou de preços de mercado resultantes da saudável lei da oferta e da procura, mas sim, de um modelo de subsídio de mobilidade mal desenhado pela RAM e inquinado com burocracias irreflectidas;
15. A liberalização da rota trouxe à RAM mais frequências; mais companhias; crescimento brutal de turistas e de residentes (factos comprovados por números);
16. Por fim, não convém esquecer que a TAP, com todos os defeitos que tem, é a companhia que melhor tem servido a Madeira, que melhor responde quando o aeroporto encerra e, resultado dessa realidade, a que tem merecido a preferência inequívoca dos passageiros residentes, apesar de ser a eleita dos insultos emocionais;
Em suma, é necessário deixar de confundir as pessoas com retóricas populistas em torno das CONSEQUÊNCIAS e provar que não há falta de capacidade de resposta para tratar das CAUSAS, do que interessa: (i) resolução da quebra de ligações dos mercados emissores; (ii) diálogo regular com a TAP, limpo de ruído e construtivo; (iii) resolução dos problemas estruturais do aeroporto da Madeira; (iv) solução efectiva para a revisão de um modelo de subsídio de mobilidade imprestável.
Quanto à tentativa generalizada e simplista de comparar preços da rota continente/Madeira com outras rotas, será objecto do meu próximo artigo.