O fenómeno do crescimento da abstenção eleitoral - que atingiu o zénite nas recentes eleições europeias, também na Madeira - demonstra claramente que os cidadãos estão cada vez mais cansados de demagogia, imagem de marca de muitos atores políticos. O culto da imagem, a superficialidade de várias propostas e projetos políticos, as fake news - mesmo quando disfarçadas de “caixas” jornalísticas -, as promessas eternamente por cumprir, os candidatos de plástico e os sacos de plástico dos candidatos; a lata de quem promete ficar, para logo sair, e de quem promete renovar sem se dignar sair do lugar (de conforto), estão a tornar-se cada dia mais insuportáveis, assumindo-se como adversários maiores da participação política. Não vale a pena tornear o problema. Para combater a abstenção, já nas próximas eleições legislativas regionais, é fundamental voltar a centrar o debate naquilo que realmente importa, ou seja, nas diferentes estratégias de governação apresentadas (desde que essas estratégias sejam mais do que um emaranhado de propostas desgarradas, embrulhadas em papel brilhante). É urgente envolver os cidadãos na definição dos eixos programáticos da ação política. É, ainda, absolutamente prioritário respeitar as escolhas das comunidades, prestar contas, falar a verdade, admitir os erros e as insuficiências, saber ouvir. Saber dizer “sim”, quando for possível dizê-lo; saber dizer “não”, quando o não for a única hipótese de proteger os interesses coletivos. Combater a abstenção exige mais do que palavras. Exige ação. Exige compromisso. Exige que se dê o exemplo. Exige trabalho. Exige que se gere confiança. Exige verdade. É esse o desafio que aqui deixo: que se transforme o debate que antecederá as “regionais” de Setembro num momento de discussão franca sobre propostas e sobre estratégias para o desenvolvimento da nossa comunidade. Eu farei a minha parte. O CDS fará a sua parte, procurando, em primeiro lugar, continuar a construir uma proposta de governo coerente e verdadeira, que consiga responder aos desafios que os novos tempos trazem. Um projeto que envolva os cidadãos, que não se recuse inovar; que não se molde aos interesses instalados; que perceba e que permeie o mérito, o trabalho, a criatividade, a competência. Eu farei a minha parte. O CDS fará a sua parte, debatendo, levantando questões e procurando respostas, estejam elas onde estiverem. Esta é a única forma que conheço de estar na política. Esta é a única estratégia que tenho para que o CDS continue a estar no centro da decisão, como os resultados das “europeias”, na Madeira, provaram que está e que pode continuar a estar.