Não vale a pena esconder. Muitos sectores fundamentais para a Madeira e para os madeirenses perderam a eficácia e nessesitam de reformas profundas, que só se fazem com diálogo construtivo entre actores políticos e sociais, envolvendo igualmente os cidadãos. Detalhando, o sistema regional de saúde, outrora referência nacional, não consegue responder às necessidades da população, acumulando-se queixas, listas de espera, suspeitas sobre o relacionamento entre o público e o privado. Os serviços prestados são insuficientes e, em alguns casos, sem a qualidade necessária, pese embora todo o esforço feito pelos profissionais de saúde, dos médicos aos técnicos, passando pelos enfermeiros e pelo pessoal auxiliar e administrativo. Aliás, o facto do Sesaram ter excelentes profissionais tem evitado que os problemas estruturais tenham ainda maiores reflexos. O CINM vive dias dramáticos. As queixas da deputada socialista Ana Gomes voltaram a colocar o centro que, não esqueçamos, gera pelo menos 3.000 empregos diretos, sendo ainda responsável por parte substancial da receita fiscal da Região, no olho do furacão e levaram a que a Comissão Europeia centrasse as suas atenções por cá. O ajuste direto feito pelo Governo Regional e alguns incumprimentos em relação a normas assumidas no III Regime fizeram o resto. No que respeita aos transportes, é aquilo que sabemos. Um aeroporto que não tem um plano de contingência efectivo para minorar os efeitos das alterações climáticas; dois governos incapazes de renegociar o subsídio de mobilidade; de negociar a vinda de um ferry o ano inteiro, demanda da população e de muitos agentes económicos. Enfim, dois governos incapazes de resolver o que quer que seja. O turismo vem sendo ensombrado por contingências externas - falência de companhias aéreas - não se sabendo, porém, o que vem a ser feito para atrair mais operadores e mais voos. Enfim, seria fastidioso estar aqui, apenas, a inúmeras problemas. Para além de apontar o dedo, exige-se aos agentes políticos executem. É isso que tem sido feito? Não. O governo regional está perdido num labirinto de contradições, ora culpando Lisboa; ora exercendo a arrogância no seu máximo explendor, perseguindo quem pensa de forma diferente; ora anunciando. O Partido Socialista e o seu candidato recusam-se a falar sobre o que quer que seja. Alguém ouviu alguma ideia sobre a saúde? Sobre o CINM? Sobre os transportes? Nada. Um deserto, a não ser naquilo que concerne à autopromoção, que já inclui saltos espaciais e tudo. Não é essa a postura do CDS. Pelo contrário. Fizemos dezenas de propostas para a saúde; fizemos propostas na área dos transportes; temos um histórico de defesa do CINM que fala por nós. Por isso é que dizemos: o importante é fazer. E temos feito, dentro daquilo que são as possibilidades de um partido da oposicao. Temos tentado negociar e temos conseguido impor algumas das nossa ideias. A baixa do preço dos passes sociais foi proposta nossa; a descida do IRC foi proposta nossa; o plano de recuperação da rede viária das zonas altas do Funchal foi proposta nossa; centenas de casas clandestinas serão legalizadas no Funchal, por proposta nossa. São factos, facilmente comprováveis. Basta consultar os jornais. Não dizemos que somos piores ou melhores. Teremos, certamente, os nossos problemas, as nossas falhas e contradições. Que assumimos com naturalidade. Temos sentido crítico suficiente para, todos os dias, procurarmos fazer melhor do que aquilo que fizemos no dia anterior. Temos, contudo, pontos a nosso favor: temos demonstrado mais vontade de trabalhar do que os outros; temos demonstrado capacidade negociar e abertura para colocar os interesses das pessoas à frente dos nossos interesses partidários; temos mostrado ter ideias claras, não fazendo da política um mero exercício de comunicação. Enfim, temos procurado cumprir o papel que nos foi dado pelos cidadãos. É isso que faremos até às eleições. Por favor, não esperem de nós grandes espectáculos mediáticos; não esperem anúncios pomposos; voos siderais; ataques baixos e fake news. Esperem, sim, empenho, vontade, diálogo. Esperem um programa de governo efectivo e que possa ser cumprido, com soluções em muitas das áreas da governação. Temos vindo a construí-lo nos encontros sectoriais que vimos mantendo com personalidades de relevo na nossa vida social, económica, cívica e política. Do CDS, as pessoas podem ainda esperar capacidade de servir. Caso não cumpramos, serei o primeiro a sair. Tenho emprego e vida para além da política. Não criei dependências e do meu pai recebi um ensinamento para a vida: não gastes mais do que aquilo que ganhas e nesse sentido, como sou bom aluno, financeiramente a política não me tira nem acrescenta. Em resumo, é isto que se pode esperar deste CDS: vontade, empenho, ideias claras, capacidade de diálogo e serviço. Daqui até às eleições, manteremos a postura. Mais importante ainda: seremos iguais no dia seguinte ao acto eleitoral. Sabem porquê? Porque ninguém ouvirá da nossa boca propostas que não sejam exequíveis.