Num passado ainda bem recente, a Madeira foi alvo de uma santa aliança muito ativa entre a igreja e o Governo Regional, nomeadamente, em anos de grandes festanças eleitorais. Este tipo de coligação entre a laicidade e a religiosidade proporcionou e, pelos vistos, continua a proporcionar certos confortos políticos ao partido que sustenta a governação gerando, segundo o meu ponto de vista, influentes ativos de decisão, que comprometem a livre e a saudável independência dos eleitores nas suas escolhas para a eleição de diversas estruturas governativas. Apesar de considerar um facto inapagável e bem visível no percurso de certos períodos da nossa historia, principalmente no da nossa democracia, onde aparição deste casamento por conveniência das partes foi bastante notório, chegando ao ponto de um dos nossos bispos eméritos ter deixado a meio uma cerimonia do crisma para juntar-se, no outro lado da Ilha, a uma festarola de mais uma inauguração! Um caso que causou grande perplexidade e revolta no seio de clérigos e de muitos católicos atentos às tentações da igreja. Um aceno revelador de uma bajulação inqualificável e que mancha a igreja no independentismo da sua verdadeira missão, colocando o que é imperativamente separável a roçar o antagonismo das preocupações e da matriz das linhas mestras do Cristo da história. Uma atitude que aleada a outras tantas semeiam a descrença e o afastamento de muitos fiéis e de sacerdotes de primeiras águas do seio da vida da eclesial. A presença da igreja madeirense em todo o que era inaugurações acabava por firmar ser uma presença de concertação, de concordância com os feitos inaugurais, varrendo do erário publico milhões de euros, que mais tarde foram atirados para o mar ou derretidos em pastos onde próspera a imagem dos conhecidos elefantes brancos e que nos levou com tantos sacrifícios a pagar a dupla austeridade. Ao deixar-se enrolar nestes processos sujos, irresponsáveis e desconectados com uma igreja de proximidade, de saída e atenta aos clamores sociais e culturais das suas comunidades vivas ainda com índices elevados de desemprego, de apoios à habitação e de direitos a um serviço regional de saúde por inteiro e a funcionar em todas as valências para todos os seus beneficiários. O silencio da igreja perante o estado em que se encontra o nosso serviço de saúde é no mínimo confrangedor e denota um sério alheamento ao sofrimento de tantas famílias que vivem em sobressaltos com os seus doentes nos nossos hospitais. Entendo que, é no lado da vida, no da esperança que a igreja deve fazer-se ouvir e estar, caminhando em saída nomeadamente com todos aqueles(as) marginalizados pelo peso da indiferença e da descapitalização dos valores das sociedades de consumo. Não obstante a tudo isto, a igreja continua a dar sinais evidentes que deseja manter-se neste pacto nebuloso e com resquícios a roçagar o medieval assomando-se, pela nonagésima vez, numa recente inauguração, no sítio do Gambão, freguesia do Porto da Cruz, aspergindo os autores responsáveis pelo atraso de mais de duas décadas da construção de dois tanques de agua. Abençoa foi realizada com todos os rituais a preceito. Mas, será que o nosso Cristo ousaria benzer uma obra que excluiu e obrigou idosos e crianças a aguardarem mais de 20 anos por o direito inalienável a água potável? Ousaria benzer o que de mais cristalino e impuro irrompe do ventre da terra, a água: a fonte milagrosa de vida. Nisto, tenho a firme convicção, que nenhuns pingos mágicos nem qualquer oração do culto sagrado será mais divino que a frescura e a saúde provinda do prodígio da água arrancada dos lugares mais puros do interior da terra mãe. Fica estes tópicos para ajudar o leitor a refletir e a inteirar-se do quanto ainda é necessário caminhar com lucidez apaixonante, a fim de dar a Cesar o que é de Cesar e o que é Deus a Deus, de modo a que, a igreja madeirense possa ser de novo grande na sua simplicidade e em saída pelos mais fracos e excluídos. Que este tempo de quaresma seja também para a igreja tempo de reflexão e de renuncia destas santas alianças que impedem forçosamente uma renovação altura do lema m para a difícil missão de separar as aguas fazendo Nesta reflexão que revela Por outro lado, a concordância da presença da igreja nestes eventos, pode incorrer em sérios riscos, vistos como elos de anuências baratas sobre hipotéticos desvios financeiros que este tipo de investimentos pode acabar por se transformar! Porque, ao aspergir uma construção com água impuro poderá, mais tarde, resvalar-se para um rio lamacento e forçado a uma futuro em decadência e sem vida irrespirável. Uma ilegalidade abençoar uma obra que mais tarde pode vir a ser sujeita a auditorias que descredibilizam a honestidade e o rigor dos promotores da abonam s olhos. Ora, a igreja do nosso Cristo, enraizada e construída na senda da incorruptibilidade e na cristalinidade das primeiras águas da defesa do desenvolvimento dos povos e do meio que os acolhe e sustenta, não deve permitir-se a estas alianças nem a outras relações institucionalizadas porque corre seriamente o risco de, mais tarde, ser achincalhada em praça publica por ter sido, indiretamente, conivente com os desvios de milhões de euros do erário publico pela sua presença por civilização lisura prender transparência assomar aperaltar

Severino Olim