Representantes de várias organizações não governamentais (ONG) e um grupo de familiares de presos políticos pediram hoje à ONU que a visita à Venezuela da sua alta comissária para os Direitos Humanos inclua deslocações a prisões e hospitais.

Lilian Tintori, mulher de Leopoldo López (da oposição e atualmente em prisão domiciliária), disse aos jornalistas que apresentou hoje uma proposta de agenda para a visita de Michelle Bachelet, antiga Presidente chilena.

A proposta foi feita de acordo com várias ONG, advogados da defesa e familiares de presos políticos e outras vítimas da ditadura venezuelana, adiantou Lilian Tintori.

“Não é para uma visita diplomática, nem apenas para uma reunião com o ‘usurpador’ [a oposição não reconhece o novo mandato do Presidente, Nicolás Maduro, e acusa-o de usurpar o poder], mas para que ela própria constate a violação dos direitos humanos”, frisou.

Segundo Tintori a oposição espera que Michelle Bachelet “visite os hospitais, cadeias, o metropolitano, as ‘perreras’ [camiões que servem de autocarros], as escolas e veja como vivem os venezuelanos, sem gás, sem água, sem luz, sem alimentos e sem medicamentos”.

Por outro lado, Tintori manifestou estar incomodada com uma reunião que decorreu na quarta-feira em Nova Iorque, Estados Unidos da América, entre o ministro venezuelano das Relações Exteriores (MRE), Jorge Arreaza, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

“Como é possível que as Nações Unidas recebam um chanceler [ministro das Relações Exteriores] ilegítimo, em representação de um Governo usurpador”, disse.

As ONG e os familiares de presos políticos reclamam responsabilidade à ONU, no sentido de encontrar “um mecanismo eficaz” que sirva de solução para a crise político-económica venezuelana.

Em 10 de janeiro último, Nicolás Maduro tomou posse, perante o Supremo Tribunal de Justiça, para um segundo mandato como Presidente da Venezuela, para o período 2019-2025.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, Maduro foi reeleito para um novo mandato presidencial nas eleições antecipadas de 20 de maio de 2018, com 6.248.864 votos (67,84%).

Um dia depois das eleições, a oposição venezuelana questionou os resultados, alegando irregularidades e o não respeito pelos tratados de direitos humanos ou pela Constituição da Venezuela.