A SAD do Benfica foi constituída arguida em conjunto com o respetivo assessor jurídico, 3 funcionários judiciais e um empresário, acusados entre outros crimes de corrupção ativa e passiva. Os responsáveis benfiquistas com o presidente à cabeça clamam inocência cabendo ao Tribunal decidir. É contudo deveras interessante a evolução das suas declarações conforme este processo tem vindo a decorrer. De início afirmavam que os e-mails eram falsos e que os respetivos conteúdos tinham sido adulterados, depois quando passou a ser mais do que evidente que essa justificação não colhia, mudaram o foco da sua pretensa defesa para o crime da devassa da sua correspondência e mais recentemente para o hacker que pretensamente roubou a informação dos respetivos computadores e a vendeu aos adversários. Dando de barato que houve efetivamente um hacker que se apropriou indevidamente de informação confidencial da SAD benfiquista, o que seria crime, não deixa de ser curial questionar: Se esses e-mails não tivessem sido divulgados alguma vez se teria sabido as tramóias que os responsáveis benfiquistas andavam a urdir nomeadamente ao nível do condicionamento da arbitragem e de outros órgãos de justiça desportiva? Alguma vez teria sido descoberta a devassa de processos judiciais em segredo de justiça, em benefício exclusivo do Benfica e que originou o processo e-toupeira? Afinal em que ficamos, os responsáveis benfiquistas tão ciosos da privacidade da sua correspondência e nomeadamente dos seus e-mails não tiveram qualquer rebuço em utilizar fraudulentamente e em proveito próprio informação confidencial guardada nos computadores da Justiça? Não são também hackers os funcionários judiciais agora arguidos que forneceram aos responsáveis benfiquistas essa informação? Um por fornecer informação confidencial do Benfica aos adversários é o hacker mau os outros por fornecerem informação confidencial dos adversários ao Benfica são os hackers bons. É assim a ética benfiquista!
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