Frei Bento Domingues, de 84 anos, é uma das vozes da Igreja Católica mais presentes no espaço mediático, com uma coluna semanal no jornal ‘Público’ há mais de duas décadas. Em conversa com o DIÁRIO -- a propósito do afastamento do padre Anastácio por suspeitas de abuso sexual de um menor -- o sacerdote falou sem ‘tabus’ da pedofilia clerical, da campanha da Igreja conservadora contra o Papa Francisco e da necessidade de reformar a formação dos padres nos seminários, começando pela abolição do celibato obrigatório.
Bento Domingues começa por dizer há duas questões que é preciso “distinguir muitíssimo bem”: a luta contra a pedofilia nas Instituições da Igreja e a campanha que está a desenvolver-se neste momento contra “aquele que mais tem feito para erradicar essa epidemia da Igreja Católica”, o Papa Francisco.
Relativamente à primeira questão, o frei é também um defensor da “tolerância zero”, sem todavia incorrer em “injustiças”, pelo que considera que a matéria “deve ser entregue à Justiça Civil”.
Paralelamente o Frei Bento Domingues denuncia a tentativa, por parte de uma facção da Igreja Católica, “de levar a que o Papa Francisco se demita, para colocar no seu lugar um Papa conservador (...) porque é contra as reformas que ele está a fazer”.
Reformas essas, insiste o sacerdote, que têm de começar “na formação dos padres no seminário”. “Tem de haver uma reforma abrangente da própria Igreja Católica. É um processo que deve envolver padres, bispos e, sobretudo, muitos leigos”.
A já muito debatida questão do celibato cabe obviamente nesta reforma e, para Bento Domingues, “é evidente que o celibato deve ser opcional”.

