Para além de fazer parte do hino da Região, este foi também o mote de uma apresentação que efetuei no âmbito de uma conferência científica da ‘AMS – American Meteorological Society’, que está a decorrer na cidade de Oklahoma nos EUA.

A nossa Ilha é muito rica em fenómenos geofísicos (meteorológicos, oceanográficos e geológicos), o que nos tem vindo a permitir o desenvolvimento no Observatório Oceânico da Madeira (com financiamento FEDER/IDR), de estudos sobre a relação dos ventos alísios com as nossas montanhas e os seus impactos nos acontecimentos recentes, tais como os incêndios de Agosto de 2016, a geração de episódios de turbulência extrema no aeroporto CR7 e a evolução das brisas marítimas. Os principais ingredientes comuns no estudo destes fenómenos prendem-se com o fato de sermos uma Ilha montanhosa “plantada” no meio do oceano, o que dá origem a grandes variações térmicas dentro dos seus vales.

A aceitação deste trabalho perante uma comunidade de cientistas internacionais do mais alto nível demonstra, na minha opinião, o enorme potencial que a Madeira tem para se transformar num pólo de atração para o estudo destes fenómenos. O aprofundar do conhecimento deste tipo de processos naturais é relevante não só para a Madeira, mas também para muitas cidades à beira mar, pois é relevante para compreendermos melhor a evolução dos fogos em ambientes de montanha, nesta e noutras paragens; é relevante para perceber melhor a relação do oceano com este tipo de fenómenos meteorológicos, permitindo prever mais eficazmente eventos extremos tais como como os furacões, as cheias rápidas, entre outros.

O meu maior constrangimento foi explicar aos colegas, que o trabalho apresentado é fruto do esforço de um pequeno grupo de investigação sediado no Madeira Tecnopolo, que trabalha em salas de vidro, originalmente projetadas para lojas e espaços comerciais para diversos setores. Também foi difícil admitir, que temos ainda muito pouco reconhecimento na sociedade Madeirense, e que não tivemos qualquer participação de investigadores da única Universidade sediada na Região no presente trabalho. Discutindo estes e outros desafios, ficou finalmente claro o caminho a percorrer para colocar a Madeira no mapa das Regiões ‘produtoras de conhecimento’:

1º O Governo Regional tem de assumir a ciência, tecnologia e inovação como uma aposta no futuro. Não setorialmente, mas integrando várias áreas do conhecimento, promovendo a multidisciplinaridade e a cooperação nos temas de interesse para a Região. Por outro lado, matérias como a Educação, Ciência e a Saúde não podem estar à mercê de vontades político-partidárias. Nas sociedades mais evoluídas estes são assuntos que merecem ‘pactos de regime’, que viabilizam apostas a longo prazo.

2º A Universidade da Madeira tem de despertar para a realidade onde está sediada; tem de contribuir mais para alavancar o desenvolvimento da investigação, apostando em áreas estratégicas para a Região. O ‘Free State’ não vai durar para sempre.

3º Os Senhores Governantes, os Senhores Dirigentes e os Senhores Empresários têm de começar a convergir fundos apostando no desenvolvimento de competências a nível Regional, particularmente em áreas estratégicas para o desenvolvimento da economia. Deixemo-nos de consultorias externas, bem pagas por sinal, que servem para encher alguns ‘cofres’, legitimar más decisões e indecisões, gerar relatórios, e relatórios de relatórios terminando muitas das vezes em arquivo morto.

4º Temos de sensibilizar a sociedade para não restringir a definição de Desenvolvimento à construção de estradas e pontes; bens imateriais, tais como a Ciência (e Tecnologia), são aspetos fundamentais das sociedades do futuro, não fosse esta uma visão Europeia, que representará um reforço de 100 biliões de euros nestas áreas, no próximo programa quadro.

A aposta no conhecimento é de facto uma aposta no futuro, que vale a pena considerar.