A política, na Madeira, está a mudar. As gerações estão a renovar-se a surgem novos protagonistas, esperando-se que portadores de novas ideias. É puro senso comum dizer-se que o tempo das maiorias absolutas acabou, que o tempo de uma governação “musculada” ficou para trás e que a partir das próximas eleições regionais, terão de ser feitos acordos entre diferentes partidos, abrindo-se ainda mais espaço para a participação de atores sociais fora do âmbito partidário. Viver-se-ão tempos nos quais a negociação terá necessariamente de sobrepor-se à imposição.

O CDS tem de preparar-se para os novos dias e está a fazê-lo bem, tendo marcado um congresso eletivo para Julho, mais de um ano antes da data prevista para as eleições.

O congresso será o espaço para que se debata aquilo que se quer que o partido seja no futuro e para que se assuma, ou não, que é preciso escolher aqueles que estão mais bem preparados para governar ou para fiscalizar quem governa.

Assumi a minha candidatura à liderança do CDS como rosto de um projeto coletivo, que envolve militantes e dirigentes de várias gerações, de várias proveniências e com experiências diferentes. Que envolve autarcas e deputados e militantes de base e dirigentes concelhios.

Um projeto aberto, plural, que tem recolhido inúmeros apoios internos e externos. Um projeto que tem como um dos pilares internos a unidade do partido, visando igualmente reorganiza-lo e prepará-lo para os novos desafios. Que conta com dirigentes experientes – o expoente máximo é José Manuel Rodrigues, que liderou o CDS durante 17 anos – e com jovens militantes e jovens quadros.

Não advogo um corte geracional. Advogo, sim, que as diferentes gerações se complementem e construam um território e um caminho comuns. O CDS não é, não pode ser, prisioneiro de uma geração, de um grupo, de uma qualquer classe social. O CDS terá de ser, sempre, um projeto coletivo, porque tem sempre, como objetivo central, defender os interesses dos cidadãos da Madeira e do Porto Santo.

Espero que o debate que antecederá o Congresso seja esclarecedor, servindo para que ideias diferentes se confrontem. Gostaria de ver uma participação massiva por parte dos militantes do CDS. Apelo mesmo a essa participação, estando disponível para ouvir e receber contributos, ideias, opiniões.

Este é, repito, um projeto coletivo. Um projeto que visa dar força ao CDS, dando assim força ao património comum de todos os militantes mas sobretudo, permitindo contribuir para o partido seja relevante na vida dos cidadãos.

Na moção que entregarei brevemente, trabalho partilhado com muitos militantes e também com muitos simpatizantes do CDS, defenderei que o CDS afirme as suas ideias, independentemente dos dois blocos políticos que se parecem estar a formar; independentemente de grupos de pressão económicos e associativos; independentemente das modas ditadas pela comunicação social ou pelas redes sociais. Nesse sentido, se eu liderar a Comissão Política Regional do CDS Madeira, apostarei na elaboração de um programa de governo feito com a sociedade civil.

A “geringonça” em Lisboa provou que o mito do voto útil caiu e o CDS deve dizer isso mesmo. Votar útil é votar naqueles que apresentam o melhor programa e que apresentam as melhores soluções para resolver problemas que o PSD não consegue resolver; que a governação camarária e a prática política do PS parecem querer perpetuar. É isso que queremos provar, nas próximas eleições: votar útil é votar no CDS.

Para o conseguirmos fazer, necessitamos de unidade e por isso defendo que terminado o congresso termine também a divisão interna. Necessitamos unidade e de abertura e é isso que queremos, um partido unido, mais abrangente, mais aberto à participação dos militantes, mais transparente, a comunicar melhor. Um partido mais dinâmico internamente, procurando que esse dinamismo se transmita para o exterior. Um partido que conjugue experiência e juventude. Irreverência e solidez. Um partido de todos e para todos. Um partido que seja veículo de esperança, que seja autónomo mas também estandarte da Autonomia da Madeira.

Esperança e Autonomia. São estas a palavras que titulam a moção que apresentarei. A elas, eu e todos aqueles que aceitarem integrar este projeto acrescentarão as palavras ação, determinação, trabalho, empenho, qualidade, capacidade de ouvir, humildade, sobriedade, transparência, porque queremos que sejam elas a definir o nosso projeto político. Porque queremos que elas definam e alicercem a nossa ação.