Dezenas de voluntários reuniram-se ontem na autoridade municipal grega de Rafina-Pikermi, em Rafina, para juntarem ajudas às vítimas dos incêndios que destruíram parte da região, mas o presidente da autarquia considera que a situação está controlada.

“Para já, temos solução em termos de comida, alojamento, ajuda médica e apoio psicológico”, afirmou Vagelis Bournous à agência Lusa na noite de terça-feira, quando ainda havia uma grande azáfama dentro e fora do edifício, cerca das 00:30 (hora de Lisboa).

Nas últimas 24 horas, pessoas e empresas têm feito chegar comida, garrafas de água, fraldas para bebés, medicamentos e “até dinheiro”, incluindo do estrangeiro, disse.

“As infraestruturas da cidade estão a funcionar, mas a beleza natural em algumas partes desapareceu completamente”, lamentou Bournous.

Na segunda-feira, os incêndios nesta região costeira nos arredores de Atenas provocaram a morte de, pelo menos, 74 pessoas e 187 feridos, vários dos quais em estado muito grave, segundo fontes oficiais.

Mais de 1.500 casas foram afetadas e mais de 300 viaturas completamente destruídas pelas chamas, sobretudo em Mati, um dos bairros periféricos a norte de Rafina, onde têm segunda casa muitos habitantes da capital e onde passam férias de Verão.

Os feridos em pior estado foram assistidos nos hospitais mais próximos e os desalojados colocados em hotéis ou em casa de familiares ou amigos.

Apesar de estar escuro e de a zona de Mati não ter eletricidade, é possível sentir esta madrugada um forte cheiro a queimado, mesmo depois de as chamas terem sido extintas.

Vasiliki Beka, assessora do presidente da câmara local, relatou à Lusa que foi “uma tragédia” o que aconteceu na região, onde muitas casas estavam ocupadas por idosos, que tomavam conta dos netos durante as férias.

“Houve pessoas que não conseguiram escapar, outras que se lançaram no mar e que ficaram na água durante cinco a seis horas, algumas afogaram-se. Um grupo de 26 pessoas ficou queimado, com os pais a abraçarem as mulheres e os filhos para tentar salvá-los, mas não conseguiram”, relatou, emocionada.

A catástrofe levou um grupo de voluntários que normalmente distribui comida pelos sem-abrigo em Atenas a deslocar-se a Rafina, a cerca de 30 quilómetros de distância.

“Pedimos aos restaurantes com quem trabalhamos e eles fizeram mais refeições. Como não são precisas para as vítimas, entregámos-las aos outros voluntários e à Cruz Vermelha”, afirmou Maniana Peppa, coordenadora do grupo Dypno Agapis.

Junto à sede do município, um dos voluntários, o residente local George Petridis, relatou como viu o incêndio aproximar-se a meio da tarde de segunda-feira até 300 metros da sua casa.

“Tivemos de sair porque era difícil respirar por causa do fumo. Penso que o problema foi que as pessoas subestimaram a gravidade do incêndio e não sairam logo. Depois veio muito vento, que pegou fogo a tudo”, afirmou.

As autoridades gregas continuam à procura de eventuais vítimas do incêndio, em terra ou no mar.

Centenas de pessoas fugiram de barco de Mati para o porto de Rafina, escapando ao incêndio. Cerca de 170 clientes do hotel Ramada Atica Riviera, mais uma centena de habitantes locais, procuraram refúgio no estabelecimento e foram resgatados com o auxílio de embarcações que vieram de vila de Rafina, a sede do concelho, para ajudar nas operações de socorro.

“Eu estava no porto de Rafina a recebê-los. O incêndio foi muito rápido”, contou Giorgos, responsável pela manutenção do hotel, que já está adiantado na limpeza do espaço exterior que já está pronto a abrir.

“Só precisamos de saber se vamos ter eletricidade, porque agora estamos a usar um gerador, e água para o serviço normal”, acrescentou.

O hotel é um dos poucos edifícios sem marcas do incêndio que lavrou na segunda-feira nesta região costeira nos arredores de Atenas que provocou, pelo menos, 74 mortos e 187 feridos, vários dos quais em estado muito grave, segundo fontes oficiais.

O bairro de Rafina estava esta manhã quase deserto, sendo visível o cenário de destruição de casas, carros e árvores queimadas, postes de eletricidade derrubados pelo fogo.

Um agente da polícia grega que não se identificou estacionou o carro para impedir a circulação de automóveis pela rua Leof Posidonus e afirmou à Lusa que vão ser iniciados os trabalhos de limpeza dos destroços e detritos das ruas.

O Governo de Alexis Tsipras decretou três dias de luto e pediu ajuda internacional na noite de segunda-feira, tendo já alguns países respondido com meios de apoio.

O executivo grego já desbloqueou uma verba de 20 milhões de euros, procedente do Programa de Investimento Público, destinada à ajuda imediata e a cobrir as necessidades das zonas mais afetadas.

O ministro da Administração Interna português, Eduardo Cabrita, anunciou na terça-feira que Portugal disponibilizou 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios na Grécia, no âmbito do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.