Na passada sexta-feira (4 de Maio), foi publicado em Diário da República, o novo modelo da Prova Nacional de Seriação (PNS) para 2019, ou como os estudantes de medicina batizaram, o Harrison. Basicamente, esta prova decide a especialidade que o futuro médico exercerá para o resto da sua vida profissional. Caso não a realize, fica indiferenciado, ou seja, sem especialidade...

Esta brincadeira da nova PNS ficará acima dos 700€. Sim, ficará acima desse valor! Isto porque, além de pagar mais de 600€ pela lista de supermercado, a que os iluminados que definiram este novo modelo de prova chamam de “lista de POTENCIAIS livros de referência” (Andreoli and Carpenter’s Cecil Essentials of Medicine; Harrison’s principles of internal medicine; Nelson Essentials of Pediatrics E-Book; Schwartz’s Principles of Surgery; Obstetrics and Gynecology; Shorter Oxford Textbook of Psychiatry; The Wills Eye Manual e The clinical handbook of ear nose and throat disorders), ainda é necessário pagar 90€ para realizar o exame! Fantástico! A prova, nos modelos atuais, é gratuita, o que faz o maior sentido do mundo! A bibliografia recomendada (e não POTENCIALMENTE recomendada) ronda os 200€. Felizmente os bolseiros não têm que pagar os 90€, menos mal... Mas e os outros? Também não têm direito ao acesso à especialidade sem pagar mais por isso?

Nunca pensei que, quando nos disseram que o novo modelo permitiria diferenciar ainda mais a malta que se submete à prova, seria para perceber quem é teso e quem tem posses... Se era esse o objectivo, então estão no bom caminho... É que o curso de medicina nem é caro, não é? Cerca de 1200€ por ano de propinas, 7200€ nos 6 anos de curso (que é feito do fim das propinas que esta geringonça prometeu?), 70€ pelo certificado de conclusão do curso, agora a prova que passa a custar 90€, fora todos os livros utilizados! Depois, inscrição na ordem dos médicos que fica em cerca de 200€, com quotas anuais “suaves” na ordem das centenas de euros. Quem me dera ter um amigo como o do “engenheiro” Sócrates...

E andamos nisto... Perdoam-se dívidas de milhões a clubes de futebol; injectam-se milhões em bancos, em companhias aéreas quase falidas; investem-se em obras públicas onde muito do capital vai parar aos bolsos de alguns, para o teso, o contribuinte, o justo, o que não alinha nestes esquemas manhosos pagar depois... Se não nos querem, digam de uma vez por todas! Se só querem gente aparentemente rica num país de tesos, digam! Não há nada que prenda o português a Portugal! NADA!