A organização da ModaLisboa, que hoje termina, fez um “balanço óptimo” da 50.ª edição, mas admitiu cuidados redobrados, como a instalação de infraestruturas resistentes devido ao mau tempo, que atraiu também menos visitantes para actividades abertas ao público.

“Ainda não acabou, hoje ainda vamos ter desfiles muito importantes para percebermos as tendências dos nossos criadores, mas tem sido um balanço óptimo”, afirmou à agência Lusa a directora da ModaLisboa, Eduarda Abbondanza.

Uma das apostas desta edição, segundo a responsável, foi a realização de desfiles na Estufa Fria, jardim em estufa situado no Parque Eduardo VII, perto do local principal do evento, o Pavilhão Carlos Lopes: “Nós temos de estar sempre a descobrir alguma coisa nova, também para [...] termos alguns momentos surpresa”.

Notando que, ainda assim, as condições climatéricas não foram as melhores neste fim de semana, a directora da ModaLisboa admitiu que, “nesta edição, a preocupação era trabalhar numa estrutura de protecção [...] e mais pesada”.

“É assim o nosso trabalho, há riscos que não podemos correr. Não sabíamos nessa altura quando começámos a programar contentores, etc. --, que iria estar este tempo, mas, de alguma maneira, [...] março é sempre de risco e, portanto, mais vale logo prevenir”, acrescentou.

Eduarda Abbondanza referiu que foi necessário alterar o local de um desfile - o do criador Morecco, na sexta-feira à noite -, que estava marcado para a Estufa Fria, mas que passou para o Pavilhão Carlos Lopes.

“Nós trabalhamos com equipas técnicas acreditadas e, portanto, estamos sempre em contacto com eles e a ouvir o que eles dizem, sendo que a decisão é nossa. Na sexta, definimos uma hora em que, se chovesse, iríamos fazer a mudança”, o que aconteceu, como explicou à Lusa.

“Conseguimos criar aqui as condições” com que o desfile iria decorrer na Estufa Fria, “no sentido [de Morecco] trabalhar com luz negra, e conseguimos fazer tudo normal”, sem “riscos desnecessários, porque estava a chover perto dos cabos eléctricos”, indicou.

Na edição passada, que decorreu em outubro, sete dos 23 desfiles, geralmente acessíveis apenas por convite, foram abertos à população, mas desta vez isso não aconteceu em nenhum.

No entanto, à semelhança de edições anteriores, houve actividades abertas ao público nas zonas circundantes ao Pavilhão Carlos Lopes, como a loja temporária ‘Wonder Room’ (com a presença de 19 marcas e de ‘designers’ nacionais), as exposições de fotografia “Work Station” e outra dedicada ao calçado português e ainda uma mostra de moda de autor e indústria.

Ainda assim, também devido ao mau tempo, foram menos os participantes nestas actividades.

“A única coisa que sinto nesta edição [...] é que, com chuva e frio, nós não conseguimos arrastar tantas pessoas lá para fora como na edição passada”, reconheceu Eduarda Abbondanza.

Segundo a responsável, na edição de outubro registou-se um “número de pessoas muito maior”.

“Nós continuamos a ter as actividades e elas [as pessoas] continuam a vir, mas vêm e vão embora, enquanto na edição passada, pelas condições, podiam permanecer”.

Ainda assim, o Pavilhão Carlos Lopes continuará a ser o local escolhido para a próxima edição: “É muito provável que seja aqui, porque este espaço é muito bom para a edição de outubro, porque tem o jardim e se pode usufruir”.

Nesta edição, registou-se uma média de 1.300 espectadores por desfile, grande parte dos quais jovens, de acordo com a organização.

Quanto aos criadores, foram 21, faltando, contudo, dois habituais nomes, o do francês Christophe Sauvat e o da angolana Nadir Tati.

Eduarda Abbondanza adiantou que estas baixas se justificam com o “percurso empresarial” destes ‘designers’.