Algum cansaço, preconceito contra os sem-abrigo e dificuldades económicas são razões encontradas pelos voluntários do CASA - Centro de Apoio ao Sem-Abrigo que justificam a fraca adesão à recolha de alimentos promovida pela instituição mas lojas Pingo Doce desde esta manhã para ajudar as famílias carenciadas. Apesar de trabalhar junto dos sem-abrigo do Funchal, a CASA dá também apoio a 430 agregados e é para os cabazes mensais que oferecem com a ajuda dos que contribuem, que chegam a mais de 1.200 pessoas, que se destinam os bens hoje e amanhã recolhidos. Já depois das 17 horas, os voluntários estavam parados na sede, por falta de alimentos para arrumar. A estimativa é de que os donativos sejam à volta de uma tonelada, longe das duas ou três que deveriam estar a contar neste momento.
“De recolha para recolha sentimos cada vez mais dificuldade”, lamentou a coordenadora regional do CASA. “Há três anos não era assim”, contou Sílvia Ferreira, explicando que a esta hora estariam atarefados a tentar separar e contabilizar os donativos que chegavam dos vários pontos.
A coordenadora lamenta alguma falta de sensibilidade e preconceito contra quem vive na rua e explica que os sem-abrigo são ajudados com um programa próprio, com uma refeição quente diária proveniente das recolhas efectuadas nos hotéis (através do programa de combate ao desperdício alimentar). Quanto às recolhas de alimentos destes dois dias, são para famílias do Funchal, Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol e Santa Cruz, algumas delas que regressaram da Venezuela e precisam de apoio para recomeçar a vida.
“Sem recolhas não conseguimos ajudar”, desabafou. A próxima recolha será só em Setembro e é com estes bens e generosidade dos madeirenses que vão ter de se manter até ao final do Verão e garantir que todos os meses pelo menos um pouco as famílias levam para casa no cabaz. Além dos donativos recolhidos nesta campanha, os cabazes são complementados com as quebras do dia que o Pingo Doce contribui.
Com menos donativos, houve tempo para falar e ouvir os relatos de quem passou o dia a oferecer um saco, um convite à generosidade. ‘Estamos fartos de ajudar’, ou ‘Nós é que precisamos de ajuda’, são frases que ouvem à porta dos supermercados.
Sílvia Ferreira espera que amanhã seja melhor e que consigam de alguma maneira manter esta casa a ajudar.

